| Profissionais
de educação retornam às
atividades mas programam meia paralisação
BARRA MANSA - Os profissionais de educação
decidiram, na tarde de ontem, em assembléia
geral no salão paroquial da igreja
Matriz, retornar às atividades hoje
e segunda-feira. Longe de abandonarem o
movimento, eles pretendem mudar de estratégia,
visando fortalecer as futuras mobilizações.
Foi acertada entre os cerca de 70 profissionais
presentes no encontro uma nova paralisação,
de meio período, para a próxima
terça-feira. Nesse dia, a comissão
de negociação, formada por
professores, funcionários administrativos
e membros do Sepe (Sindicato Estadual dos
Profissionais de Ensino) vai à Prefeitura,
na tentativa de ser recebida pelo secretário
de Educação, José Amaral.
Antes disso, o sindicato enviará um
ofício, marcando a audiência
para as 10 horas.
Na reunião será discutida
a informação passada pelo
secretário à direção
do Sepe Central, esta semana, de que “o
prefeito está irredutível
em relação ao corte de ponto
dos profissionais que aderiram à greve
e que o índice de reajuste salarial
prometido pela prefeitura será de
4,75%.”
Na parte da tarde haverá uma manifestação
da categoria com o objetivo de denunciar à população
a postura da prefeitura. O ato, com concentração
em frente ao Restaurante Popular, na Avenida
Domingos Mariano, está marcado para
as 15h30min. Os profissionais vão
seguir em passeata pelas ruas do Centro
até a Praça da Matriz para
explicar os motivos das paralisações.
Logo após, a categoria se reúne,
novamente, em assembléia no salão
paroquial da Igreja Matriz. O encontro
será às 17h30min.
Durante a assembléia os profissionais
avaliaram o movimento, marcado esta semana
por paralisações de meio
período e reuniões de esclarecimento.
Grande parte dos professores presentes
manifestou indignação em
relação à postura
do governo municipal, via direção
de escolas, pressionando os profissionais
a desistirem do movimento. Uma das reclamações
foi quanto ao recebimento de vales-transportes.
Segundo os professores, a direção
das escolas teria orientado os professores
a assinarem um termo, comprovando o recebimento
dos vales.
Na avaliação do Sepe isso é uma
arbitrariedade do governo, uma vez que é o
benefício é garantido por
lei. “O conselho do sindicato é para
que não assinem papel algum. Não
importa se o profissional usa o vale ou
vai de bicicleta para o trabalho. Isso é um
absurdo. O recebimento de vale é um
direito constitucional”, ressalta
Pedro Nei Maximiniano, um dos diretores
do Sepe.
Outro ponto amplamente discutido na assembléia
foi a necessidade de assistência
jurídica diante de algumas medidas
da prefeitura, como o corte de ponto, obrigatoriedade
de pagamento do Fundamp, corte de licenças-prêmios
e a situação de profissionais
em estágio probatório. Sobre
isso, Pedro Nei diz que na próxima
semana será realizada uma reunião
entre a direção e o departamento
jurídico do sindicato. Quanto ao
Fundamp, ele informa que o Sepe já acionou
o Ministério Público contra
a obrigatoridade dos descontos.
Na opinião da professora da rede
municipal e coordenadora regional do Sepe,
Mariana Caetano, apesar de um pouco tímido
em algumas escolas o movimento está organizado
e incomodando o governo municipal. “Prova
disso é que o secretário
de educação começou
a desmarcar os encontros de setor. Deveria
ser realizado um no último sábado
com os professores de 5ª a 8ªsérie,
mas foi cancelado. Isso mostra que o secretário
não quer ver a categoria reunida,
principalmente os professores, que mais
aderiram ao movimento”, argumenta
Mariana, acrescentando que até pesquisa
de opinião o governo vem fazendo
para saber sobre sua popularidade e o impacto
que a greve da educação causou.
Alguns itens do levantamento:
SALÁRIO MÍNIMO DO
ESTADO DO RIO
ANO / VALOR PORCENTAGEM DO AUMENTO
2001 / R$ 180,00
2006 / R$ 369,45 - 105,25%
SALÁRIO LÍQUIDO
DO PROFESSOR DA PMBM
ANO / VALOR PORCENTAGEM DE ACRÉSCIMO
2001 / R$ 701,53
2006 / R$ 814,13 - 16,05%
DESCONTOS DA PREVIDÊNCIA
MUNICIPAL DO PROFESSOR
ANO / VALOR PORCENTAGEM DE AUMENTO
2001 / R$ 38,13
2006 / R$ 119,19 - 212,56% |