PROFESSOR
AGEU
Mar de lama
É onde está mergulhado
e governo. Os escândalos pipocam
diariamente e, os já existentes
desdobram com mais profundidade e nós
não temos mais forças nem
para o espanto. Cada protagonista arrasta
consigo uma série de subcasos
envolvendo outros e outros e o partido
do governo se desdobra na defesa do indefensável.
Veja o caso do ex-ministro Palocci: trouxe à tona
o cidadão Sr. Caseiro, a intromissão
criminosa em sua conta bancária,
o mico pago pelo senador Tião
Viana, a tentativa do governo de reverter
o relatório da CPI (porque quem
deve teme) e, agora, o ministro da Justiça – Tomaz
Bastos – vê as suas vestes
respingadas pelos respingos da lama espirrados
do caso do ex-ministro da fazenda.
Há pelo menos duas coisas positivas
nesses clamorosos episódios: Uma
delas é o valor da democracia.
Nela a imprensa tem olhos, vê,
denuncia. O povo tem acesso às
informações e julga a seu
modo os mentores e praticantes do banditismo
político. Num regime ditatorial
tudo isso estaria escondidos dos olhos
da população. Fora da democracia
os corruptos são intocáveis
e deles só se pode falar bem.
Quando a imprensa é livre o povo
se esclarece; quando não se fecham
emissoras e não se lacra os jornais,
o povo tem voz e vez. Quanto mais escândalos
políticos mais necessidade temos
de votar cuidadosamente e trabalhar para
a vitória da democracia.
O segundo fato positivo é: o poder
de cassação está nas
mãos do povo. A Câmara Federal
está apodrecida e não pode
mais representar a sociedade brasileira.
A Comissão de Ética recomenda
a perda do mandato de deputados comprovadamente
corruptos e os deputados em plenário
os absolve, escondidos na cortina do
voto secreto de maneira covarde. Então,
nas próximas eleições,
resta ao povo brasileiro exercer democraticamente
a sua força cassando os corruptos,
os que apóiam corrupção
e elegendo aqueles que, segundo o nosso
julgamento nas urnas, serão capazes
de livrar a nação desse
mar de lama no qual se atolou o governo
atual. O povo não merece isso.
Sinceramente.
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