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A
votação e a apuração
dos votos transcorreram sem incidentes
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ACORDO
COLETIVO CSN
Votação aprova greve
Empresa terá prazo
de 48 horas para apresentar nova proposta
VOLTA REDONDA - Em votação
secreta realizada durante todo o dia de
ontem na Passagem Superior, na Vila Santa
Cecília, os metalúrgicos
da Companhia Siderúrgica Nacional
ratificaram a decisão tomada dia
3, quando recusaram - também em
votação secreta, no ginásio
do Recreio do Trabalhador - a proposta
salarial apresentada pela empresa para
o acordo coletivo deste ano. Os trabalhadores
ainda votaram a favor da greve, caso a
CSN não apresente uma contraproposta,
com um aumento real.
Ontem, dos 4.399 votantes, 2.250 atenderam
ao pedido do presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos, Carlos Henrique Perrut,
e disseram sim à greve, e 2.104,
não. Uma diferença de 146
votos a favor da paralisação.
Houve dez votos em branco e 35 nulos. Caso
a comissão de negociação
da CSN insista na instauração
do dissídio coletivo, como vem anunciando,
e não chame o sindicato para negociar
no prazo de dois dias - a contar de hoje
-, a categoria poderá entrar em
greve por tempo indeterminado ainda esta
semana.
“
A empresa chamou o sindicato para negociar
na semana passada e, no mesmo dia, quinta-feira,
soltou um boletim informando que não
mudaria a proposta. Agora, a palavra está com
a CSN. O trabalhador não quer mais
abono, quer aumento real. E a greve é a única
forma que temos de pressionar a empresa
para que ela nos chame para negociar. Vou
enviar um ofício à CSN amanhã (hoje),
informando a decisão da categoria,
que está de parabéns e compareceu
para votar. Com essa decisão acho
que a CSN vai reabrir as negociações,
caso contrário faço a greve”,
diz Perrut.
Durante assembléia na manhã de
ontem, debaixo de chuva, os sindicalistas
insistiram em pedir aos metalúrgicos
que votassem “sim”, a favor
da greve. “Nem a chefia conseguiu
convencer os trabalhadores. Isso mostra
que a categoria está unida e fortalecida”,
diz Jadir Baptista, diretor do sindicato
e candidato a vice-presidente da Chapa
1, da CUT.
GREVE À VISTA
Os diretores do sindicato classificaram
a proposta salarial da empresa como “pacote
do mal”. A direção
do órgão também decidiu
desvincular do acordo coletivo deste ano
a manutenção do turno de
oito horas por mais dois anos, como quer
a CSN, ou a volta do turno de seis horas. “Não
vamos aceitar esse pacote. Ele não
passa porque com ele o trabalhador só toma
na cabeça. Por isso decidimos separar
a questão do turno de seis horas
do acordo salarial”, afirma o presidente
do sindicato, lembrando que a Volkswagen
e a Pegeout deram aumento real de 3%.
Ao ser informada oficialmente da decisão
dos empregados - o que ocorrerá ainda
hoje -, a CSN terá um prazo de 48
horas para apresentar outra proposta a
seus empregados, que querem aumento real
de 3% e um valor igual da PLR (Participação
nos Lucros e Resultados) para todos, entre
outros benefícios. Caso contrário,
esgotado esse prazo a direção
do sindicato iniciará a organização
do movimento grevista. “Não
existe empresa rica com o empregado nessa
situação. Mas podemos deflagrar
a greve depois de 50, 60, 70 ou até 80
horas. A qualquer momento. É o fator
surpresa”, diz Perrut.
De
acordo com o sindicato, já foi
mostrado à CSN que ela não
tem mais o controle sobre o operário,
durante a decisão dos trabalhadores,
no início do mês, quando a
proposta salarial da empresa foi recusada.
Na mesma votação a categoria
optou pela greve e não pelo dissídio,
em caso de não haver acordo entre
a empresa e o sindicato.
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