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PONTO DE VISTA
Queda dos juros

     Por duas décadas, o Brasil lutou contra a inflação, e a partir do Governo Itamar Franco, com o Plano Real, o processo inflacionário foi estancado, os preços ficaram estabilizados e o povo brasileiro passou a ter outras perspectivas, como, por exemplo, poder programar sua vida, no que concerne à aplicação de seu dinheiro ou a tocar seus negócios.
     É muito bom ver o Brasil bater recordes em sua balança comercial. É muito bom saber que o real está forte - praticamente numa relação de dois reais por um dólar. É salutar ver a inflação dominada, porque durante décadas foi o imposto mais cruel cobrado à população. Mas, fica a pergunta: quando os juros vão cair para valer? Não há condições de deslancharmos com esses juros. A produtividade é a geradora de empregos, e, por isso, é quase obrigatório que o Governo Federal promova, com determinação, a queda dos juros.
     O Brasil somente vai levar justiça social à população quando entender que o binômio educação e emprego é a mola mestra do desenvolvimento de um país. Faz-se necessário diminuir os juros, reavaliar a dívida pública e sanear a Previdência Social, a fim de permitir que a economia brasileira possa ser redirecionada para atender a milhões de brasileiros que não têm acesso ao setor produtivo e, muito menos, a uma educação de boa qualidade.
     Outra questão importante diz respeito às remessas de lucro para o exterior. Estatais privatizadas que antes formavam o Sistema Telebrás e a Vale do Rio Doce, entre outras, enviam mais dinheiro para fora do que aplicam no Brasil. Não importa se elas passaram para as mãos de estrangeiros. O que importa é que os governantes analisem com mais acuidade os contratos e, a partir daí, exijam que grande parte dos lucros dessas empresas permaneça no Brasil, para que possamos empregar o nosso povo.
     A obsessão pelo controle da inflação deve ser substituída pela obsessão por criar empregos e reduzir os juros. Governantes e técnicos devem, antes de tudo, inaugurar novo processo obsessivo, que tenha como âncora à queda dos juros, a fim de deixar os pequenos e microempresários respirarem. Afinal, os pequenos empresários são responsáveis por cerca de 80% dos empregos no Brasil e, portanto, merecem mais consideração e respeito.
     O Governo, ao que parece, tem se esforçado. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que em breve será votada na Câmara dos Deputados, vai simplificar muita coisa, a começar pelo número excessivo de impostos e tributos. No entanto, o Relator da proposta, Deputado Milton Barbosa, tem dito para quem quiser ouvir que a lei, na verdade, aumenta os impostos. Se o nobre Deputado Milton Barbosa estiver certo, será melhor que nós, Parlamentares, bloqueemos essa desfaçatez, essa ironia sem graça.
     Faço esse alerta porque custo a acreditar que o Governo Lula jogue a bola nas costas daqueles que, na verdade, sustentam este País: os trabalhadores. Deve haver um basta às políticas antipopulares, elaboradas há séculos pela elite econômica e política deste País, de passado vergonhosamente escravocrata.

João Mendes de Jesus
Deputado Federal (PSB-RJ)