Servidores
do Judiciário fazem paralisação
de 24 horas
SUL
FLUMINENSE - Sem sinal de negociações
com o Tribunal de Justiça e o Governo
do Estado sobre a campanha salarial, os
servidores do Poder Judiciário do
Estado do Rio de Janeiro decidiram fazer
uma paralisação de 24 horas,
a partir de hoje, em advertência
ao tribunal. A paralisação
foi decidida em assembléia, ontem,
no Rio, onde estiveram presentes cerca
de 1,5 mil servidores da Justiça
do Estado. Do encontro foram definidas
mobilizações descentralizadas
para esclarecer a população
sobre os motivos da paralisação
e reuniões de convencimento com
os demais profissionais.
A paralisação será de
ocupação, ou seja, os servidores
vão comparecer aos locais de trabalho,
mas não assinam ponto ou entram
nos fóruns. Em Volta Redonda, os
cerca de 500 profissionais do Judiciário
ficarão do lado de fora do Fórum,
explicando à população
os motivos da paralisação.
Esta será a terceira mobilização
da categoria com a finalidade pressionar
a administração do Tribunal
de Justiça a negociar a pauta de
reivindicações da categoria.
Os profissionais interromperam as atividades
por duas horas nos dias 6 e 10 passados
De acordo com o sindicato, os servidores
não temem represálias por
parte da administração do
Tribunal, como ocorreu nas paralisações
anteriores, em que contingentes da PM e
seguranças contratados pelo tribunal
foram usados para reprimir os movimentos.
A categoria reivindica reajuste salarial
de 29,5%; implantação do
auxílio saúde no valor de
R$ 112; jornada de 6 horas em dois turnos;
retorno do fornecimento do vale-refeição
nas férias e licenças médicas,
criação de uma Comissão
de Saúde, com representação
do sindicato. Além disso, os serventuários
pedem remuneração dos dias
trabalhados em regime de plantão.
O delegado regional do Sind-Justiça,
Tony José Vieita, explica que os
juízes trabalham nos fins de semana
e feriados, em regime de plantão
e são remunerados, mas a categoria
que faz parte da escala de plantão,
como escrivães e oficiais de Justiça,
não recebem pelo trabalho extra. “Como
se não bastasse isso, estamos há quase
oito anos sem reajuste salarial. Faz 40
dias que o presidente do tribunal recebeu
a pauta de reivindicações
constando de 30 itens, mas ele está inerte.
Só se sensibiliza quando pára
a máquina”, reclama o escrivão
da 2ª Vara Cível de Volta Redonda.
A última paralisação
foi deflagrada em agosto de 2005, por conta
da implantação de um plano
de cargos e salários. Na ocasião,
foi feita uma paralisação
integral de advertência à administração
do Tribunal de Justiça do Estado.
Segundo o sindicato, a mobilização
surtiu efeitos positivos.
A expectativa da delegacia regional do
Sind-Justiça é que a adesão
dos profissionais chegue a 100% nos municípios
de Piraí, Valença, Angra
dos Reis, Rio das Flores e Volta Redonda. “Fizemos
uma reunião hoje (ontem) com todos
os funcionários do Fórum
e a maioria votou pela paralisação.
Caso não haja uma resposta favorável
do tribunal, não descartamos a possibilidade
de greve por tempo indeterminado”,
enfatiza Tony José Vieita.
Na região Sul Fluminense atuam cerca de mil serventuários da
Justiça. A data-base da categoria é 1º de maio.
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