Voltar   Cloves Alves
A PREPARAÇÃO do boneco com materiais e roupas usadas, sem gastar dinheiro

Malhação de Judas é ensinada para comunidade

     RESENDE - A malhação do Judas, que já foi uma festividade tradicional na Páscoa agora luta para não se perder na história. Por esse motivo, o arquivo histórico da cidade em parceria com a Fundação Casa da Cultura Macedo Miranda, promoveu durante essa semana uma oficina para alunos, professores, associação de moradores e o público em geral com o intuito de ensinar a essas pessoas o real significado dessa cultura. O propósito, de acordo com o historiador Claudionor Rosa, é não deixar a identidade cultural morrer. “A malhação do Judas já foi muito tradicional, mas são poucas as pessoas que ainda brincam com isso. Por esse motivo é que nos preocupamos em resgatar, preservar e divulgar a memória que acaba perdendo a força com o crescimento e conseqüente empobrecimento cultural da nossa cidade. A nossa grande esperança para que toda essa história tão rica não morra são nossos estudantes e crianças, que já começam a se interessar pelo assunto e se tornam um canal de transmissão das informações que recebem”, acredita, e ressalta o papel folclórico representado no ato da malhação do boneco de Judas. “A atitude de bater no boneco está longe dessa relação que fazemos hoje do Judas que traiu Jesus Cristo. Essa festa teve origem na zona rural quando, ao final da colheita, os agricultores usavam essa simbologia para afastar os maus espíritos e louvar o bem. A diferença é que hoje o Judas personifica o mau espírito, mas a intenção não é castiga-lo por sua história bíblica, até porque ele não foi o único a trair Cristo, mas acabou levando a culpa toda sozinho”, explica o historiador.
     Além das oficinas promovidas no Espaço Z e na praça Oliveira Botelho, ensinando ao público como confeccionar o Judas e como fazer seu testamento, durante todo o ano os alunos da rede municipal de ensino têm contato com a história folclórica do país e da região nas aulas.
     Claudionor Rosa aproveita para fazer um lembrete à população. “A sugestão é que não se coloque nomes de políticos no boneco do Judas. Essa é uma brincadeira prazerosa, sem espaço para a violência. A intenção é apenas simbolizar o afastamento do mal das nossas vidas, trazendo a alegria e a diversão para perto de todos”, diz. Seguindo a tradição o Judas é malhado no sábado de aleluia, mas atualmente a maioria das cidades promove a festa no domingo. A programação fica por conta de cada comunidade.