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BARRAMANSEANDO...
Professora Matilde Diniz Lacerda

     Bom dia, caríssimo leitor!
     “Ninguém apaga a luz de uma estrela, ninguém consegue estancar uma fonte. Só morrendo cala-se o sabiá.” O Grebal e a Academia Barramansense de História estão de luto com o falecimento do grebalista e acadêmico Teodorico Mendes de Assis. Com o seu entusiasmo, prontidão e alegria colaborou muito com entidades culturais de Barra Mansa e Volta Redonda.
     O seu livro infantil O Passarinheiro da Serra do Cipó foi lançado na sede do Grebal com a presença maciça de estudantes de várias escolas, aliás, já visitadas por ele. Ainda me lembro de sua alegria naquela tarde!...
     Importantes lições são tiradas dos “causos” que ele gostava tanto de contar e da estória do seu pequeno livro. Segundo ele “A natureza foi criada por Deus para que se faça parte dela e não para ser tocada e destruída.” Seu livro é um alerta e uma lição para a garotada quanto à preservação das nossas matas, pássaros, cachoeiras e rios.
     Teodorico, nosso colega, membro do Conselho Municipal de Cultura, pessoa amiga, incansável nos seus propósitos, defensor incondicional da fauna e flora, nos apresentou a fantástica estória do Zé Onofre com uma prosa fácil e divertida. Li e gostei da estória! Vislumbrei um pedacinho da minha infância, do meu aprendizado nas antigas aulas de catecismo com a horrível cena do inferno com os seus tachos enfumaçados, cheios de água fervendo e as espetadas do tridente do capeta. Durante a leitura, pareceu-me ver o próprio Tântalo no seu suplício que consistia numa fome e numa sede eternas: mergulhado na água até o pescoço, não podia beber, porque o líquido fugia sempre que tentava mergulhar nele a boca; um ramo carregado de frutos pendia sobre sua cabeça, mas, se levantava o braço, o ramo erguia-se bruscamente e ficava fora do seu alcance. Que horror! Cruz credo!...
     A verdade é que vamos sentir muito a falta do nosso amigo. Mas, enquanto não morremos temos o direito de renascer todos os dias. É a morte que valoriza a vida; é a certeza do fim (supostamente distante) que nos põe mais ou menos atentos no tempo em trânsito. De cada coisa, em tempo certo, nos chega o cansaço; devemos aceitar de bom grado o fim daquilo que foi, e empreender com entusiasmo o começo daquilo que há de ser; a vida é renovação. Ela me visita a cada manhã que nasce e vejo o sol brilhar novamente. Portanto, a ordem é seguir em frente, tocar o nosso barco feito de sonhos, ir navegando pelos remansos onde bailam as verdes ramagens e as aves gorjeiam em prece. E... realizar coisas, procurar ajudar o próximo, contribuir para a melhoria de nossa cidade, apesar das decepções e tristezas, pois “nossa vida não deve ser feita apenas de bom tempo... É a chuva que torna a terra fecunda.” Um abraço carinhoso para a família Assis.
     Até a próxima!