LULA
E O NARIZ DE PINÓQUIO
Lula e o PT parecem acreditar que a mentira,
repetida muitas vezes, se transforma em
verdade. Principalmente quando tem atrás
de si a ajuda da grande mídia regada
a milhões de reais.
Já mostramos à exaustão
o embuste dos chamados bons fundamentos
econômicos, alardeados com insistência
pela propaganda oficial, quando o País
se encontra praticamente parado. A economia
está sobrevivendo quase apenas à custa
das exportações, numa conjuntura
mundial excepcionalmente favorável,
que independe de qualquer ação
do governo. E mesmo as exportações
tiveram desempenho pior que as de outros
países em desenvolvimento. O crescimento
de nações, como Cuba, 14%;
a Argentina, 9,1%; a Venezuela, 9%; o Chile
e o Uruguai, 6%, para ficarmos apenas em
nossos vizinhos da América Latina,
revela o espantoso fracasso brasileiro.
A única coisa que cresce, realmente,
são os lucros dos bancos, por coincidência
os grandes financiadores das campanhas
do PT. Apesar de tudo isso, pouco antes
de deixar o cargo, o ex-ministro Palocci
dizia que a economia brasileira estava
no paraíso.
Mostramos, em seguida, a enganação
da chamada operação tapa-buracos,
que não passa de simples operação
cata-votos, favorecendo o partido oficial.
Será que só agora, às
vésperas das eleições,
as autoridades se deram conta do estado
lastimável de nossas estradas? Lembre-se
que existe um tributo com destinação
específica para sua recuperação
e conservação, a Cide, com
recursos de R$ 8 bilhões anuais,
mas que é desviado irregularmente,
como tantos outros, para o pagamento dos
juros da dívida pública,
via superávit primário.
Vimos, nos últimos anos, a divulgação
de números inteiramente falsos sobre
a reforma agrária. Foram aumentados
de várias vezes os dados relativos às
famílias assentadas, usando-se até mesmo
a estatística de assentamentos havidos
em administrações passadas.
O MST tem denunciado essas escamoteações,
afirmando que Lula abandonou seus compromissos
com os sem-terra.
Como requinte desse processo falacioso,
o presidente chega ao cúmulo de
tentar apoderar-se dos resultados da Petrobrás,
apresentando-se como responsável
pela auto-suficiência no abastecimento
de petróleo. Trata-se de uma clamorosa
manipulação. Esse objetivo
vem sendo perseguido há anos por
diferentes administrações,
e só por simples coincidência
será alcançado agora, nada
devendo em particular à gestão
petista. Aliás, o aumento anual
da produção da Petrobrás
nos últimos três anos foi
de apenas 5%, menos da metade dos 12% registrados,
por exemplo, de 1997 a 2002, no governo
privatista e vendilhão de FHC, fato
que deveria encher de vergonha os atuais
governantes, em vez de estarem se gabando
do que não fizeram. Ao mesmo tempo,
prosseguem os leilões de importantes áreas
petrolíferas, favorecendo os grupos
privados, em grande parte estrangeiros,
em mais uma traição do PT
a sua pregação nacionalista
e em favor das empresas públicas.
Outras empulhações virão,
como a do chamado trem-bala, ligando o
Rio a São Paulo, num país
que, por falta de verbas, tem uma das mais
deficientes malhas rodoviárias e
um dos piores sistemas de transporte por
ferrovia do mundo, ou o da transposição
do Rio São Francisco, destinado
a beneficiar o agronegócio nordestino,
em especial os setores dedicados à exportação,
e os empreiteiros e fornecedores de grandes
obras.
De mentira em mentira, o governo pensa
que poderá enganar o País
indefinidamente, mas esse pode ser também
o caminho mais curto para quebrar a cara.
Ou melhor dizendo: o nariz de Pinóquio.
José Maria
Rabelo
Jornalista, anoticiacomoelae@uol.com.br
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