Voltar Cris Oliveira e C.F.Santana

Setor de Primeiro Atendimento do JEC abre processos sem necessidade de advogados

     BARRA MANSA - O Juizado Especial Cível (JEC) foi criado com a finalidade de acelerar o andamento da Justiça. Além da rapidez no trãmite processual, o JEC oferece a ausência de advogado nos processos que envolvam até 20 salários mínimos. Para se fazer a petição inicial, o interessado pode realizar o pedido de abertura do processo direto no setor de Primeiro Atendimento no próprio órgão.
     Na Comarca da cidade, o departamento foi inaugurado em outubro do ano passado. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas. São três estagiários que realizam os atendimentos nos quais são fornecidas informações básicas da lei 9099/95, que regulamentou o JEC. De acordo com o juiz titular do Juizado, Roberto Henrique dos Reis, os serviços prestados pelo Setor de Primeiro Atendimento têm contribuído para aumentar ainda mais a celeridade do órgão e também desafoga a Defensoria Pública.
     Roberto afirma que apesar dos atendimentos serem feitos por estagiários do curso de Direito as orientações básicas fornecidas às pessoas em geral são supervisionadas por ele e por uma funcionária da Justiça. “O setor trabalha com um formulário padrão que pode também ser obtido no site do Tribunal de Justiça. E as pessoas são orientadas de maneira superficial quanto aos documentos necessários para a comprovação da sua queixa”, comenta o juiz titular.
     Em relação às orientações Roberto enfatiza a superficialidade de conteúdo das informações devido à necessidade de imparcialidade do juiz para avaliar os processos abertos no JEC. Mas o juiz garante que todos que procurarem o departamento receberão as informações básicas a respeito dos documentos comprobatórios do pedido e se haverá a necessidade de testemunhas.
Além do benefício oferecido pelo setor, da ausência de gastos com honorários dos advogados, o JEC tem uma média de um mês para a liberação das sentenças dos processos. De acordo com a coordenadora do setor, Elenita Aparecida Guimarães, desde a inauguração tem sido crescente a procura da população pelos serviços oferecidos pelo Primeiro Atendimento. Segundo ela, em média duram 40 minutos os atendimentos, e a maioria dos casos se destinam a esclarecimentos de pessoas leigas em direito e de baixa renda. Elenita comenta que a maior parte dos casos é de reclamações simples e nas quais as pessoas não sabem como formalizar o processo.
     “ Nós orientamos as pessoas sobre o embasamento legal da solicitação apresentada. Há casos em que a gente adianta que não há base jurídica, mas quando as pessoas insistem, mesmo assim abrimos os processos”, declara a coordenadora do setor. A responsável pelo departamento revela que processos referentes à telefonia em geral são disparados os campeões de reclamações.
     Para Elenita, apesar da elevação da procura, os leigos em direito ainda precisam receber melhores orientações sobre os tramites judiciais. “Na maioria dos casos as pessoas chegam até nós perdidas em relação ao que querem pedir. Muitas nos procuram baseadas no achismo e sem os documentos necessários”, afirma a funcionária da JEC.

JUSTIÇA CÉLERE

     Criado em 1994, o Juizado Especial Cível, antigo Juizado de Pequenas Causas, tem a finalidade de agilizar os processos com valores de até 40 salários mínimos. Roberto comemora a conquista da liberação de sentenças em dois meses. O período de tramitação processual é inferior ao exigido pelos Fóruns tradicionais devido aos procedimentos do juizado especial terem maior objetividade, mas com isso gera atribuição superior de responsabilidade ao julgador.
     O juiz explica que pela facilidade de acesso ao JEC é notável o crescimento da procura pelos cidadãos em geral. Roberto afirma que a média de petições iniciais subiu de 240 processos em janeiro e fevereiro para 290 em março deste ano. “Apesar da elevação na demanda eu ainda tenho conseguido liberar um número maior de sentenças em relação a petições. Mas a tendência é aumentar ainda mais a procura pela população”, comemora.
     O juiz afirma que há casos em que apesar da celeridade do JEC os processos ainda acabam demorando na liberação das sentenças. “Nos casos nos quais o réu é de outro Estado eu mando bloquear as contas do responsável por meio de Banco Central”. diz o juiz titular do JEC.

META

     A meta do juiz é alcançar no decorrer deste ano a redução no período de resposta final dos trâmites processuais para cerca de um mês, e passar as audiências para a mesma data, de maneira que o resultado final do processo seja liberado no mesmo dia. “O sucesso do nosso trabalho é pela união e qualidade da equipe. Temos a necessidade de 50% a mais em número de profissionais, mas a intensidade dos trabalhos supera essa barreira”, revela.
     Os processos com valores superiores a 20 salários mínimos precisam de advogado, podendo ter a representação da Defensoria Pública, e poderá ter custas processuais, mas nos casos em que o cidadão comprova pobreza, o processo será custeado pelo Estado. “Um trâmite processual custa cerca de R$ 750 para os cofres públicos, e às vezes recebemos valores de custas processuais em torno de R$ 50”, diz.

ALFABETIZAÇÃO JURÍDICA

     A criação do Juizado Especial foi para atender de maneira eficaz a população em geral, e para contribuir para a alfabetização jurídica, ou seja, para tornar ágil a máquina do Judiciário. A gratuidade dos serviços prestados, ações coletivas que visem ao interesse comum, e a proximidade do cidadão com o poder judiciário, de forma em que ele busque a prática da Justiça foram atitudes prioritárias dentro das funções do órgão cível.
     Dentro do orçamento estadual, 6% são destinadas as manutenções do Judiciário, valor que não supre as necessidades de pessoal para atuação nos fóruns. Os valores gastos com folha de pagamento das funções consomem cerca de 5% do orçamento do Estado. Apesar dos inúmeros concursos públicos para a área, (milhares de vagas anuais) ainda não consegue atingir a realidade brasileira da falta de conhecimento por parte da população dos direitos constitucionais. “Um dos maiores problemas do acesso à Justiça é a falta de conhecimento pelo cidadão dos seus direitos”, explica o juíz. O site do Tribunal da Justiça no qual podem ser feitas as petições é www.tj.rj.gov.br


VENDA CASADA

     Você já deve ter ouvido falar ou até mesmo já pode ter sido uma vítima da costumeira e ilegal prática usada contra os consumidores, denominada “venda casada”.
     Mas o que é a tal venda casada? De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, venda casada é condicionar o fornecimento de um produto ou serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço não solicitado.
     Assim, podemos afirmar que a venda casada ocorre quando o consumidor deseja comprar um determinado produto, ou contratar algum tipo de serviço e o fornecedor lhe impõe, como condição, a aquisição de um outro produto ou serviço cuja aquisição não era do seu interesse.
     Casos comuns de venda casada ocorrem nos bancos, cujos gerentes, muito sutilmente, não raramente obrigam os consumidores a abrirem uma conta corrente ou a “comprar” um título de capitalização c como condição para liberar o acesso ao serviço desejado (o financiamento da casa própria ou um empréstimo pessoal, por exemplo), ou seja, na hora de firmar o negócio surge uma exigência ilegal, mas intransponível para o consumidor naquele momento.
     Muito comum na época das matrículas é o caso de algumas escolas que condicionam ao aluno a compra do material escolar ou a do uniforme no próprio estabelecimento de ensino ou, ainda, numa loja previamente indicada. Isso também caracteriza a venda casada.
     Na Andecon esse tipo de reclamação é freqüente e há casos até hilários, mas, infelizmente, reais. Um exemplo é a aprovação de crédito condicionado à compra de um seguro. Outro desses maus exemplos foi o caso de uma agência de turismo que, aproveitando-se da alta procura por um determinado local, em virtude dos festejos de final de ano, impôs ao consumidor a contratação de passeios locais que não estavam previamente incluídos no pacote escolhido e, óbvio, foram cobrados à parte.
     Se você já viu esse filme, ou pior, se já fez parte dele, não deve deixar de reclamar e fazer valer os seus direitos de consumidor.
     A lei existe e deve ser cumprida por todos.


PARABÉNS AOS PROFISSIONAIS DO JUDICIÁRIO
ANIVERSARIANTES DA SEMANA

VOLTA REDONDA
Robson Martins de Sá – 19
Mara Cristina Lacerda Trevisan – 20
Rosana Aparecida P. dos Santos – 20
Eliane Couto Ribeiro – 22
Lidiane de Assis Lisboa – 26

BARRA MANSA
Alex dos Reis Viçoso – 19
Ana Paula de Souza – 19
Claudia Regina da Silva – 19
Paulo Roberto farina campos – 19
Sueli Clementina Alexandre – 23

BARRA DO PIRAÍ
Vera Maria Sampaio Vidinha – 24
Karina de Oliveira Madeira – 25

VALENÇA
Wania Oliveira Slangard – 23

RIO DAS FLORES
Ana Maria Flor e Silva – 26

ITATIAIA
Daniela Campos de Barros - 25