PROFESSOR
AGEU
Porcas, magras e famintas
Um conhecido jurista, em entrevista
a um órgão da imprensa
sobre os escândalos em cascata
que envolve o governo Lula, manifesta
algumas opiniões que merecem nossa
meditação. Acha ele, por
exemplo, que a situação
do atual governo é bem pior que
a do governo Collor. Há um considerável
apodrecimento dos órgãos
públicos no que diz respeito à credibilidade
popular. A Câmara dos Deputados
perdeu qualquer possibilidade de votar
medidas de moralização,
afundada que está até o
pescoço pelas atitudes de perdão
aos que agiram dolosamente contra o erário
público. O mínimo que se
poderia esperar dos deputados federais
seria a cassação do mandato
de todos os implicados nessa orgia, mas
isso não aconteceu. O Conselho
de Ética está se desmanchando
porque, segundo alguns dos seus membros,
não adianta conselho onde a ética
não resiste à fome das
porcas magras e famintas que se atiraram à ração
do poder. O desejo de perpetuar um reinado
de esquerda através de um esquema
presidido pelo Zé Dirceu não
contemplava o povo brasileiro em nome
do qual se vai às ruas nas campanhas
com promessas de dias melhores, empregos,
saúde e educação.
Passou por cima de tudo isso. Para não
citar cansativamente todos os pontos
não alcançados, nem sequer
tentados, fiquemos apenas na saúde,
cujo fracasso envergonha qualquer nação
civilizada.
Por que, então, não se
cassa o mandatário da nação?
Segundo a opinião do mesmo jurista,
entre algumas razões está o
fato de que o Congresso não tem
autoridade para corrigir coisa nenhuma.
Está irremediavelmente comprometido.
O mandato atual está no fim. Lula
e integrantes do Congresso vão
enfrentar o julgamento popular. Caberá ao
povo dizer se quer continuar com tudo
o que aí está ou tentar
a modificação com outros
nomes. Na minha opinião também
acho que impeachment nas atuais conjunturas
seria tumultuar o país com risco
de refletir até nas próximas
eleições. É deixar
que o povo resolva pelo poder do voto.
As urnas serão o tribunal de justiça.
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