| CAMPANHA
SALARIAL
Funcionalismo dá o ultimato
Audiência entre a direção
do sindicato e comissão da prefeitura
deve acontecer ainda esta semana
BARRA MANSA - Até quinta-feira,
o governo municipal deverá anunciar
uma proposta de reajuste salarial para
o funcionalismo, com base em um estudo
de impacto da folha de pagamento da prefeitura.
A informação é do
presidente do sindicato do funcionalismo,
José Francisco Campanelli, que participou
de uma reunião com a comissão
de negociação da prefeitura
na última semana. Durante o encontro
foi discutida a forma com que os vales-transportes
vêm sendo emitidos ao funcionalismo
e a elevação do teto salarial
dos níveis hierárquicos da
prefeitura para o recebimento de abonos.
Segundo Campanelli, os servidores receberam
no mês passado um termo de compromisso
para atestar o recebimento dos vales-transportes.
A medida foi considerada arbitrária
pela direção do sindicato,
que pediu a suspensão desse documento.
Outra questão discutida foi o recebimento
dos abonos. De acordo com o presidente
do sindicato, ficou decidido que o limite
salarial para o recebimento do benefício
passará de R$ 860 para R$ 930. Os
trabalhadores enquadrados entre os níveis
5 e 7 recebem abonos no valor de R$ 50
e os funcionários dos níveis
8 a 14 recebem um adicional de R$ 100.
Embora tenha sido pauta da reunião,
nenhuma proposta de reajuste salarial foi
apresentada pelo governo. Campanelli ressalta
que numa atitude estratégica a comissão
de negociação da prefeitura
espera que o sindicato conclua o memorial
descritivo da evolução da
folha de pagamento do funcionalismo com
base nos últimos dez anos para apresentar
alguma proposta. “Estamos fazendo
um levantamento, mas muitos documentos
estavam faltando e não há condições
de terminá-lo. Além disso,
a responsabilidade desse estudo é da
prefeitura. Conhecemos esse jogo. Vamos
esperar uma proposta da prefeitura”,
diz Campanelli, ressaltando que o sindicato
pleiteia reajuste de 16% desde 2005.
De acordo com dados preliminares do estudo
feito pelo sindicato, a perda salarial
do funcionalismo varia entre 53% (níveis
5 a 14) e 87% (níveis 15 a 20).
“
O que a gente percebe é que eles
esperam um estudo do sindicato para oferecer
alguma proposta. Não querem arriscar índices
maiores. Depois oferecem reajuste menor
e ainda vão dizer que o sindicato
apontou o reajuste”, opina o vice-presidente
do sindicato, Nilton dos Santos.
Enquanto aguarda uma posição
do prefeito para uma audiência, a
direção do sindicato pretende
realizar várias assembléias
setoriais para informar a categoria sobre
a última reunião com a comissão
de negociação da prefeitura
e discutir alguns pontos da pauta de reivindicação.
Segundo o sindicato, estão agendadas
assembléias, esta semana, com os
funcionários da Susesp e do Saae.
FUNDAMP
Em relação às acusações
do Sepe contra o sindicato sobre o comportamento
passivo diante da aprovação
do aumento na contribuição
do Fundamp (Fundo de Assistência
Médica do Servidor Municipal) para
9,1%, o presidente do sindicato se defende,
enfatizando que o funcionalismo sairia
prejudicado caso não houvesse os
descontos destinados à manutenção
do fundo.
O sindicato do funcionalismo entende que
grande parte dos servidores seria obrigada
a pagar planos de saúde a preços
elevados, se poderiam arcar com custos
menores. Nesse sentido, Campanelli diz
que não há condições
de acionar a Justiça contra a elevação
dos descontos do Fundamp. “Os professores
querem a desobrigatoriedade do desconto,
pois a maioria trabalha em duas escolas,
mas, e a maioria dos funcionários
da prefeitura? Tem funcionário com
cinco filhos e paga R$ 26 de Fundamp. Imagine
se o fundo quebrasse e ele tivesse que
pagar plano de saúde?”, justifica.
AÇÃO JUDICIAL
Sobre a ação movida pelo
sindicato em 1997, durante a gestão
de Inês Pandeló, contra os
cortes de vários benefícios
dos trabalhadores, cuja sentença
foi emitida na última semana pelo
juiz da 4ª Vara Cível de Barra
Mansa, Alexandre Custódio Pontual,
o presidente do sindicato afirma que 100%
dos servidores municipais serão
beneficiados, uma vez que abonos e gratificações,
determinados por lei, foram restabelecidos.
Entre eles, adicional de 50% para os servidores
que atuam como apoio escolar, gratificação
de 30% para professores com regência
extra-classe, incorporação
do DSR aos salários dos professores
da Febam, adicional de 50% para custear
cursos de formação para guardas
municipais, além do direito de incorporar
100% da produção; adicional
de produtividades para os funcionários
da Secretaria de Fazenda, gratificação
para alguns setores, entre outros benefícios,
que estavam congelados e que a partir do
concurso de 1998 foram extintos.
“
Mesmo depois de quatro anos de espera,
o funcionalismo conseguiu vitória.
Todas as gratificações serão
corrigidas e pagas ao trabalhador. E não
adianta o governo atual dizer que não
tem dinheiro em caixa, porque tem muito
cargo comissionado e estagiário
trabalhando na prefeitura. Se enxugar a
máquina sobra dinheiro. Só de
propaganda a prefeitura gastou R$ 2,080
milhões. Se aconteceu com a Inês,
pode acontecer com esse prefeito também.
Outras ações judiciais virão”,
avisa Campanelli, lembrando que medidas
mais sérias poderão ser tomadas
caso a prefeitura desrespeite os direitos
dos trabalhadores.
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