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Índios parakanãs no seu dia-a-dia

Exposição no UniFOA mostra cultura dos índios parakanãs

     O Centro Cultural e Histórico Dauro Aragão, localizado no campus Três Poços, do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), realiza, de hoje a quinta-feira, uma exposição de fotos e alguns objetos dos índios parakanãs, coletados pelo aluno Sérgio Vieira, do curso Gestão em Marketing Estratégico. A mostra estará marcando as comemorações do Dia do Índio, comemorado no dia 21 próximo.
     Com o nome de Exposição Fotográfica, o Canto dos Parakanãs, a mostra apresentará aspectos daqueles indígenas que foram uma das últimas tribos a terem contato com “o homem branco”.
     Sérgio Vieira, que hoje trabalha, reside e estuda em Volta Redonda, conheceu essa tribo em 1991, quando foi convidado a integrar a equipe do Programa Parakanã.
     Sérgio conta que ao embarcar com destino a Belém do Pará, onde faria escala para Tucuruí, levou com ele seu violão, mesmo sem saber ao certo como iria utilizá-lo, já que estava indo atuar junto aos índios, em aldeias, no interior da floresta amazônica.
     Ao chegar à aldeia Paranatinga (uma das duas existentes na época) para iniciar os seus trabalhos de campo, especificamente na implantação da Nova Escola Parakanã, o instrumento foi de grande importância para sua integração com a tribo, já que os índios passaram a andar praticamente o tempo todo atrás dele, insistindo para que tocasse e cantasse para eles.
     “ A situação tornou-se insustentável e logo no terceiro dia após a minha chegada à aldeia fomos para a escola improvisada, fizemos uma roda e eu comecei a tocar, inclusive algumas canções de minha autoria. Quase imediatamente surgiu um índio ainda jovem, que depois vim a saber, era um dos caciques daquela aldeia, com um pequeno texto escrito no dialeto parakanã (tronco lingüístico tupi, família tupi-guarani) me pedindo que o musicasse com um ritmo parecido com o das canções que eu estava tocando (MPB). Com a ajuda de um intérprete pedi ao índio que deixasse o texto comigo para que eu, com mais calma, pudesse tentar musicá-lo mais tarde” conta Sérgio.
     Mas, para sua surpresa, o índio, chamado Motiapewa, pediu, inocentemente, que ele musicasse o seu texto naquele exato momento e que ele ficaria ali sentado, esperando. Mesmo com algum temor, já que era a primeira vez que ele fazia algo parecido, a música ficou pronta, sendo gravada em cassete num pequeno gravador a pilha e entregue a fita ao índio, que retornou para a aldeia, que ficava a cerca de 100 metros da escola e dos alojamentos, aparentemente satisfeito.
     Foi o pontapé inicial de um trabalho que compreendeu mais de uma série de textos, os quais entraram numa espécie de fila para serem musicados. Com isso, o trabalho foi direcionado para a Nova Escola Parakanã com os índios sendo incentivados a escrever cada vez mais no dialeto parakanã sobre sua cultura e sobre sua história, sendo alguns textos traduzidos para o português, iniciando-se a partir desse momento uma nova fase na vida do povo parakanã. Eram produzidos textos sobre todos os assuntos relevantes do dia-a-dia: saúde, educação, cultura, agricultura, ecologia, etc. transformando a escola num grande fórum permanente de discussão e definição dos rumos do programa e do próprio povo parakanã.
     Na medida em que os textos eram musicados aumentava a euforia e a motivação daqueles índios com as ações do projeto, o que significou na verdade a sobrevivência, não só do programa Parakanã como daquele povo.

Exposição mostrará fotos, áudio e vídeo

     A exposição estará aberta à visitação de escolas, previamente agendadas - no horário das 9 às 11 e das 13 às 17 horas. Nela, poderão ser vistas fotos e instrumentos, assistir ao vídeo Zuruahá - O Povo do Veneno, ouvir um pouco da musica tradicional dos índios parakanãs. Ao mesmo tempo, os visitantes poderão se deliciar com quitutes preparados com alimentos tradicionais da cultura indígena.
     Amanhã, no campus Aterrado, localizado na Rua Jaime Pantaleão Alves, 22, no bairro Aterrado, às 19h 30min, acontecerá a palestra Cultura Indígena Parakanã - Aspectos Sociopedagógicos, com Sérgio Vieira.