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Aumento de quase 50% no preço do açúcar preocupa consumidor

     VOLTA REDONDA - Até dezembro do ano passado, o consumidor comprava cinco quilos de açúcar cristal por até R$ 3,50. Hoje, a mesma quantidade é adquirida por até R$ 7,40. O quilo de açúcar refinado, que antes era comprado nos supermercados por R$ 0,99, hoje o consumidor não leva por menos de R$ 1,70. Esse aumento de quase 50% tem causado preocupação nos consumidores.
     Muitos consumidores dizem que já estão substituindo o produto por adoçante. “Para sucos e chás passei a usar o adoçante. Foi uma maneira que encontrei para fugir do preço alto do açúcar. Lá em casa eu gasto muito do produto e com esse aumento não está dando para comprar. Vê se pode o preço do açúcar mais alto do que o do arroz. Desse jeito não dá. Temos que protestar e parar de comprar para ver se o preço cai”, sugere a dona-de-casa Cristina Aparecida Alvarenga de Moraes, flagrada pela reportagem de A VOZ DA CIDADE em um supermercado no bairro Aterrado.
     As reclamações dos consumidores são as mesmas, pois depois da disparada do preço do álcool agora é a vez do açúcar. Desde o início do ano, a cotação do açúcar subiu quase 50% das usinas para os supermercados. Isso vem acontecendo pelo fato de as negociações entre a indústria e o comércio estarem difíceis. Tudo isso por causa da forte pressão por aumentos exercida pelos fabricantes e que já começam a ocorrer falhas pontuais no abastecimento de determinadas marcas nos supermercados.
     Todas as semanas, os supermercados da cidade têm investido nas promoções dos diversos produtos para atrair o maior número de consumidores. Só que entre as promoções o açúcar quase não entra. E se entra, a diferença é tão insignificante que as pessoas nem notam. “Fiz compras na semana passada e um tipo de açúcar cristal estava mais barato, mas nem diferença fez”, critica a professora Ruth Alves Moreira.

PESQUISA SOBRE PREÇO DO AÇÚCAR

     Segundo pesquisa recente do Procon de São Paulo, o preço do açúcar subiu 13,84% entre a primeira semana de janeiro até o final do mesmo mês. Para este mês, os comerciantes do setor de supermercados garantem que os reajustes de preços do açúcar são de 7% e já se fala em outro aumento. Ainda de acordo com a pesquisa do Procon de São Paulo, a pressão das usinas por aumentos é forte desde dezembro e já repassou aumentos da ordem de 20%. A Usina Nova América, por exemplo, que tem 46% do mercado doméstico de açúcar, nega falhas no abastecimento, mas admite novo aumento no preço do produto. A direção da empresa atribui o reajuste de 55% da cotação em dólar do açúcar na Bolsa de Londres desde novembro e de 62% no mesmo período à oferta apertada. Por se tratar de um produto bastante consumido, o preço doméstico segue a cotação internacional. No atacado, o açúcar subiu 42% desde novembro.
     O preço permaneceu em alta neste mês e em janeiro atingiu sua maior cotação dos últimos 25 anos, em virtude da oferta do produto no mercado internacional e da maior disposição das usinas brasileiras em destinar parte da produção de cana para álcool, em razão do aumento da comercialização dos veículos bicombustíveis.