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SAÚDE NO CTI
Câmara criará Ouvidoria
Vereadores criticam atendimento e pedem instalação de CPI

     VOLTA REDONDA - O atendimento precário, principalmente devido à falta de médicos, nos Hospitais Municipais São João Batista (HMSJB) e do Retiro e no Centro de Atendimento Integrado à Saúde (Cais-Aterrado), tem sido alvo de constantes criticas de alguns vereadores. As últimas foram a público durante sessão. Revoltado com a situação, principalmente com a morte recente de um aposentado no HMSJB, por enfarte, em conseqüência da demora no atendimento - ele esperou por cerca de quatro horas e não foi atendido -, o presidente do Legislativo, vereador Washington Granato (PSB), tomou uma decisão drástica e pioneira: vai implantar uma Ouvidoria na câmara, através de um Disque-Denúncia, onde a população poderá reclamar da falta de médicos, do mau atendimento nos hospitais, negligência médica, entre outras irregularidades. Para isso, será instalado na câmara um telefone de prefixo 0800, que dispensa uso de cartão.
     “ A falta de respeito e o descaso com a saúde em Volta Redonda chegou ao limite. Por isso vou criar a Ouvidoria Pública para recebermos as denúncias e críticas. Vamos filmar e fotografar tudo de errado nos hospitais e postos de saúde e levarmos ao Ministério Público. O pior é que o prefeito não vê isso”, desabafa Granato, completando que Volta Redonda será passada a limpo com a fiscalização da saúde. Ele acredita que depois da ação os contribuintes saberão para onde vai o dinheiro público e uma melhor qualidade de atendimento poderá ser cobrada.

CRIAÇÃO DE CPI

     O vereador Francisco Novaes (PP) vai mais além. Ele quer a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as denúncias no setor de saúde do município. Recentemente ele denunciou, em sessão do Legislativo, as “condições precárias” em que se encontra o Cais do bairro Aterrado.
     “É um desleixo o que os médicos fazem com os pacientes que recorrem àquela unidade de saúde. Há alguns dias havia apenas um médico para atender, mesmo assim ele estava dormindo, enquanto uma senhora que estava passando mal aguardava há três horas para ser atendida. Ao invés de atender mal, que eles (médicos) peçam demissão e vão para os seus consultórios”, aconselhou o vereador.

VITILIGO

     Na mesma sessão, apesar de elogiar as instalações e os modernos equipamentos do Hospital Municipal do Retiro, a vereadora América Tereza (PMDB) também não poupou críticas à falta de médicos para atender os pacientes. “Um hospital daquele porte, tão bem equipado, onde se gastou tanto dinheiro, sem médicos. Às vezes há apenas um ou dois médicos para atender a todos”, disse a vereadora. “O Hospital do Retiro é um elefante branco”, completou o vereador Granato, acrescentando que “nem as mulheres estão conseguindo consultar com um especialista, apesar da existência da Casa de Saúde da Mulher, entre outras unidades do gênero”.
     América Tereza criticou também a campanha da secretária municipal de Saúde contra o vitiligo. Segundo ela, apesar da vasta campanha, a secretaria comprou uma máquina inadequada para o tratamento da doença e ainda está gastando dinheiro sem necessidade com a compra de remédios. “Iam comprar uma máquina que custa R$ 50 mil, mas, ao invés disso, compraram outra, no valor de R$ 16 mil, que não faz o tratamento ideal. A que custa R$ 50 mil dispensa o uso de medicamentos”, afirmou ela.
     A vereadora criticou também os medicamentos comprados para distribuir aos pacientes, os quais, segundo ela, são mais caros e menos eficientes. “Como compraram a máquina mais barata e estão tendo que continuar comprando os remédios, então que façam um convênio com o Hospital do Fundão, no Rio, para a compra dos medicamentos, que são mais baratos e mais confiáveis do que os que compram aqui atualmente”, finalizou.