| FUNCIONALISMO
Dez anos sem aumento
Médicos estão deixando a rede
municipal de saúde por falta de incentivo
VOLTA
REDONDA - De acordo com o presidente
do Sindicato do Funcionalismo Público
do município, Sérgio Montenegro,
há dez anos os servidores não
conseguem aumento salarial. A situação
está afetando até a área
de saúde, já que os médicos,
sem incentivos, estão deixando os
hospitais e unidades da rede municipal.
Outros prejudicados são os enfermeiros,
que mesmo sem reajuste salarial estão
sobrecarregados.
Na semana passada, o presidente do Sindicato
do Funcionalismo entregou oficio ao prefeito
Gotardo Netto (PV) solicitando a antecipação
para maio das negociações
da data-base do funcionalismo, que é em
julho. De acordo com o sindicalista, somente
na próxima semana o prefeito responderá se
antecipa ou não as negociações.
Segundo o sindicalista, Gotardo prometeu
encerrar as negociações com
a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN) em relação ao pagamento
do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). “É que,
segundo o prefeito, somente depois do acerto
com a CSN é que pode ver o que dá para
oferecer aos servidores. Vai depender do
que o município vai receber em dinheiro
da companhia. Ele pediu o tempo e vamos
dar”, revela Montenegro, ressaltando
que em dez anos o funcionalismo só conseguiu
duas gratificações sociais,
de R$ 100, incorporadas aos salários.
O último aumento concedido ao funcionalismo
foi de 5%, em 1996. Isso, de acordo com
ele, ainda no governo do ex-prefeito Neto.
O presidente do sindicato informou que
há três anos tramitam na Justiça
dois processos contra a Prefeitura de Volta
Redonda, na Justiça Comum e na Justiça
do Trabalho. Ambos estão cobrando
a reposição salarial dos
servidores municipais. “Enquanto
o salário mínimo sobe todos
os anos, o dos profissionais continua do
jeito que está. É uma situação
revoltante”, comenta o sindicalista.
ITENS DA PAUTA DE REIVINDICAÇÃO
Entre os mais de 20 itens que constam
na pauta de reivindicação
dos servidores públicos estão
o aumento salarial de 16%; correção
da perda salarial em dez anos, que gira
em torno de 180%; a volta do Plano de Cargos
e Carreira não cumprido; reajuste
que foi dado para o salário mínimo
e revisão do vale-transporte, já que,
segundo Montenegro, existem funcionários
que fazem hora extra aos sábados
ou pegam dois ônibus e só ganham
uma passagem. Além disso, o sindicato
quer o aumento no valor da cesta básica
que há dez anos é de R$ 30.
O município conta com cerca de 12
mil servidores, sendo, segundo o Sindicato
do Funcionalismo, cerca de seis mil contratados
e o restante concursado. Grande parte recebe
um salário médio de R$ 500.
De acordo com Montenegro, o sindicato está com
mais de 200 processos de servidores na
Justiça buscando hora extra e estabilidade.
FALTA DE CONCURSO PÚBLICO
A falta de concurso público na
prefeitura, segundo Montenegro, está causando
transtornos em todas as áreas, principalmente
na da saúde. De acordo com ele,
há uma rotatividade muito grande
de funcionários que estão
sendo contratados com salário baixo. “Por
serem contratados, muitos, principalmente
médicos, estão desistindo
do trabalho. Com isso, as unidades de saúde
acabam sendo atingidas”, justifica,
dando como exemplo a situação
caótica do Cais Aterrado e Conforto
e os hospitais São João Batista
(HSJB) e Retiro (HMR).
No ano passado, Gotardo prometeu atenção
aos funcionários caso o valor do
repasse do ICMS voltasse ao índice
que era antes. É que só assim
poderia pensar em oferecer algum aumento
aos trabalhadores. Na semana passada o
prefeito comemorou, durante a audiência
realizada com as associações
de moradores, a adesão recorde de
contribuintes que pagaram o IPTU em cota única.
Foram 18% a mais que em 2005. Na ocasião,
Gotardo falou aos líderes comunitários
o porquê que alguns pedidos não
vêm sendo atendidos. A principal
das alegações é que
a CSN não pagou o IPTU em cota única.
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