| Prefeito
passa por cima de sindicato e anuncia reajuste
BARRA
MANSA - Descumprindo o acordo que
havia firmado na última semana com
a direção do sindicato, de
marcar audiência para apresentar
uma proposta, o prefeito convocou a impressa
na tarde de ontem para anunciar o reajuste
salarial do funcionalismo. A informação é de
que os servidores municipais que recebem
entre R$ 318 e R$ 350 terão o salário
reajustado em 10% no dia 28 deste mês.
Para os funcionários que ganham
acima de R$ 350, o aumento será de
6%.
Sem receber nenhum comunicado prévio,
o presidente do Sindicato do Funcionalismo,
José Francisco Campanelli, classificou
a medida como um desrespeito à representatividade
do sindicato e disse que pretende acionar
a Justiça, pedindo revisão
salarial para os servidores municipais
com base em um estudo realizado pelo sindicato
que aponta perdas do funcionalismo entre
53% e 87% nos últimos dez anos.
De acordo com Campanelli, se comparadas
a evolução da folha de pagamento
e a arrecadação da prefeitura
dos anos anteriores, uma vez levado o caso à Justiça,
será requerido da prefeitura o pagamento
de pelo menos a metade da perdas salariais. “A
sobrecarga na folha de pagamento é grande,
porque há muitos cargos comissionados
e contratados na prefeitura. Para se ter
idéia, um cargo comissionado que
ocupa cargo no secretariado ganha R$ 5,8
mil. Isso acaba pesando na folha. Sem contar
os gastos com publicidade. Se enxugar a
folha, sobra dinheiro. Basta boa vontade,
mas em ano eleitoral fica difícil”,
ironiza Campanelli.
Quanto ao índice anunciado pelo
prefeito, Campanelli avalia que diante
da defasagem salarial do funcionalismo
o reajuste ficou muito aquém do
esperado. Pior, serviu apenas para repor
o que foi retirado dos servidores municipais
com o aumento da contribuição
do Fundamp para 9,1%. “No último
encontro o prefeito deu a entender que
o reajuste seria de forma linear, mas não
foi o que aconteceu. Esse aumento de 6%
não chega nem perto da real necessidade
dos trabalhadores. Se analisarmos bem,
não houve reajuste algum”,
afirma.
O presidente do sindicato ressalta, ainda,
que com o reajuste, caso o governo municipal
não eleve o teto salarial de R$
880 para R$ 930, muitos funcionários
serão prejudicados com a perda de
abonos no valor de R$ 50 e R$ 100. Além
disso, vão perder o subsídio
do tíquete-alimentação,
no valor de R$ 36, também calculado
com base no teto salarial.
Mediante a postura do governo municipal
e a insatisfação da categoria,
o presidente do sindicato não descarta
a possibilidade de paralisações. “O
pessoal está indignado. Vamos levar
ao conhecimento dos trabalhadores a notícia
em assembléias setoriais, depois
vamos fazer uma assembléia geral. É possível
que haja manifestações”,
conclui o sindicalista.
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