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PONTO DE VISTA
EXEMPLO EDIFICANTE

     As lutas políticas entre clãs no Brasil, de Norte a Sul, através de nossa turbulenta história, enlutaram famílias inteiras, que, ao longo dos anos, cultivaram um ódio irracional responsável por dezenas de mortes.
     Rancores que muitas vezes tiveram sua origem no Império não arrefeceram na República, pelo contrário. Após a proclamação da República, eclodiu no Sul, por exemplo, a Revolução Federalista, pondo de um lado os seguidores de Silveira Martins e os partidários de Júlio de Castilhos. Neste conflito, houve mais de dez mil mortos e dezenas de milhares de feridos. Iniciado no Rio Grande do Sul, a luta se estendeu aos estados de Santa Catarina e Paraná. Maragatos e ximangos não poupavam os adversários. Suas facas afiadas presas às guaiacas degolaram centenas de inimigos.
     O grande Érico Veríssimo, no épico O Tempo e o Vento transpôs para a literatura a saga dos Cambará e dos Terra, suas pelejas que se arrastaram por sucessivas gerações, que se confundem com própria formação do Rio Grande do Sul. Em Exu, em Pernambuco, os Sampaio e Alencar se digladiaram durante décadas e só Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, filho da terra, conseguiu com muita perseverança trazer a paz para aquelas famílias. Atrás, infelizmente, ficou um rastro se sangue e viuvez. Estou certo que hoje os chefes dessas duas famílias nordestinas lamentam que seus ancestrais não tenham podido evitar tanto derramamento de sangue. E para quê, afinal? Para nada.
     Em contraponto a estes trágicos episódios de violência, nos vem o belo exemplo de Quatis, o pequenino município do nosso estado, com pouco mais de 11 mil habitantes e uma área de 287,2 km2, situado na privilegiada Região de Agulhas Negras. Terra de gente alegre e hospitaleira, onde todos se conhecem e se tratam pelo prenome, vinha correndo o risco de uma divisão insana que poderia levar a situações perigosas, colocando de um lado os amigos e partidários do ex-prefeito José Laerte d'Elias (PMDB), atual superintendente regional da Subsecretaria Executiva de Apoio às Municipalidades, e os partidários e amigos do atual prefeito, Alfredo José de Oliveira (PT).
     Quatis, município pacato, estava sendo minado por uma desavença que contagiava inclusive a juventude, em detrimento da boa administração e da paz local. Eis que, entretanto, numa demonstração de maioridade e desprendimento, as duas lideranças resolveram esquecer as divergências e sepultar os queixumes, atitude que foi aplaudida com entusiasmo por toda população. E fizeram mais. Sentaram à mesa de negociação, passaram a limpo às deficiências do município e listaram suas principais reivindicações a ser encaminhadas para governadora Rosinha Garotinho. São pleitos da maior importância para a economia e o bem estar da região. Eis alguns: definição quanto à instalação da Fábrica da Italspeed; pavimentação da RJ 159, trecho Falcão-Divisa com Minas Gerais; inclusão do município no Programa de Biodiesel; recuperação da pavimentação da RJ 143; extensão do gasoduto de Porto Real a Quatis; reforço do policiamento e disponibilização de mais viaturas; liberação de recursos para as obras de conclusão do Plano de Apoio ao Desenvolvimento das Municipalidades (Padem).
     A atuação conjunta dessas duas lideranças só as engrandece. Nada mais gratificante do que superar ressentimentos e trabalhar pelo bem comum. É aí que o ser humano se supera e o verdadeiro homem público mostra sua face. E eu me gratifico também por ter contribuído para selar a paz em Quatis e por ter sido escolhido para encaminhar esses pleitos ao governo do estado.

Noel de Carvalho
Deputado estadual
Líder do Governo na Alerj