PROFESSOR
AGEU
Foi para o espaço
E voltou. O astronauta Marcos Pontes,
depois de demorados e exaustivos preparos,
voltou a terra e ao Brasil, sendo recebido
como herói, condecorado, aplaudido.
Acho interessante a participação
popular no episódio. Estudantes
fazem perguntas, ouvem relatos, fazem
anotações e se debruçam
sobre essa nova fase do Brasil.
Marcos Pontes merece toda a nossa reverência pelo seu esforço
e capacidade. É um exemplo para a nossa juventude tão carente
de notáveis cidadãos que sejam dignos de imitação.
Não há como contestar a atitude positiva desse moço, retrato
fiel da inteligência do jovem brasileiro que rala nas universidades e
nos laboratórios sabendo que o Brasil precisa desse esforço para
se alinhar entre as nações progressistas do mundo.
Entretanto, a comunidade cientifica, ou parte dela, tem manifestado o seu descontentamento,
criticando o gasto de dez milhões de dólares no preparo do astronauta
brasileiro. Sabemos que dez milhões de dólares é muito
dinheiro, mas, não podemos transformar em quantia o valor futuro das
experiências feitas na área de microgravidade. O desenvolvimento
cientifico é como a arte; não tem preço. Graças
a ele temos hoje remédios que preservam a vida, prolongam a existência
dos mais velhos e derrotam doenças antes imbatíveis. Temos no
Brasil uma reserva de inteligência e capacidade que nos enchem de orgulho
e o país precisa, sim, investir nesse tesouro, o descontentamento por
causa dos dez milhões há de passar, porém os benefícios
trazidos pelos experimentos vão perdurar.
Lembro-me, quando menino, da construção do Estádio do
Maracanã, pelo então prefeito Mendes de Morais. O Brasil se orgulhava
de construir o maior estádio de futebol do mundo.
A crítica, entretanto, não perdoou o feito. Discursos eram proferidos
em que se faziam comparações baseadas em pesquisas.
- Quantos prédios de onze andares poderiam ser construídos ao
longo da Avenida Presidente Vargas com o cimento gasto.
- Com os vergalhões se poderia atingir uma distância de milhares
e milhares de quilômetros.
Outras e outras comparações eram feitas na ocasião e para
a ocasião ao sabor da política temporal local e partidária
visando provar ao povo que o gesto com a construção do estádio
era um desperdício, uma irresponsabilidade e um assalto à economia
popular. Pois bem, os críticos passaram e a critica também. O
Maracanã permaneceu e gerou até um filhote: o Maracanãzinho.
Assim será a nossa história na corrida espacial.
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