| FUNCIONALISMO
'Um desrespeito ao servidor'
Comissão e diretoria do sindicato
fazem assembléia com trabalhadores
da Susesp e criticam reajuste salarial
BARRA MANSA - A Comissão de Trabalhadores
da Superintendência de Obras e Serviços
Públicos (Susesp) e a diretoria
do Sindicato do Funcionalismo Público
reuniram na manhã de ontem, na sede
da autarquia, mais de 100 trabalhadores,
em assembléia geral para discutir
algumas reivindicações trabalhistas
da categoria e passar os informes a respeito
das audiências realizadas com o governo
municipal.
Um dos pontos mencionados, durante a assembléia,
foi o reajuste salarial de 6% a 10% anunciado
recentemente pelo prefeito. Segundo o vice-presidente
do sindicato do funcionalismo e integrante
da comissão de trabalhadores da
Susesp, Nilton dos Santos, o governo municipal
simplesmente ignorou a atuação
do sindicato em plena campanha salarial
dos servidores municipais. Ele lembra que
ainda não foram marcadas audiências
para tratar do assunto e que o reajuste
anunciado não atende às reais
necessidades dos trabalhadores. “Foi
um desrespeito ao funcionalismo. Não
temos mais esperança de entrar em
um acordo com o prefeito em relação à questão
salarial, porque ele não cumpre
o que fala. Isso terá de ser tratado
na Justiça”, avisa o sindicalista,
convocando os funcionários a se
informarem melhor no sindicato a respeito
das ações judiciais em curso,
dentre elas o processo que trata de níveis
de referência.
AVALIAÇÃO
De acordo com ele, os trabalhadores também
aprovaram em assembléia medidas
mais severas com relação
a uma avaliação de produtividade
dos profissionais da autarquia. Nilton
dos Santos explica que os funcionários
discordam de um dos critérios da
avaliação, o de número
17, que estabelece penalidade aos funcionários
que obtiverem avaliações
baixas na maioria dos quesitos, entre eles
assiduidade, produtividade, desempenho
etc. “Foi votado que ou o secretário
José Renato retira esse critério
ou encerra essa avaliação.
Do contrário, será acionada
a Justiça, porque essa avaliação
foi criada para estimular o trabalhador
e não para puni-lo”, justifica
Nilton dos Santos.
Na assembléia geral, os trabalhadores
fizeram algumas propostas de melhorias
no serviço da Alivap, empresa que
cuida da alimentação de cerca
de 180 profissionais da Susep, cujo contrato
de licitação está prestes
a terminar. A aquisição de
um filtro de água para a autarquia
e a melhoria na qualidade das refeições
foram duas das reivindicações
apontadas pela categoria.
VEÍCULOS ALUGADOS
Uma dúvida levantada durante a
assembléia foi a questão
dos veículos alugados pela prefeitura
para serviços da Susesp. No total
foram alugados sete veículos, no
valor de R$ 1,2 mil cada da agência
Localize de Volta Redonda, para atender
os gerentes de alguns setores da autarquia.
“A impressão é de que esses carros são de domínio
de alguns gerentes. Eles foram adquiridos para substituir os carros que foram
vendidos em leilão. Onde está o dinheiro desse leilão ninguém
sabe, ninguém viu”, ironiza Nilton dos Santos, informando que foi
dito na assembléia que o prazo do contrato do aluguel dos carros está em
vias de terminar. “Está no ar, não se sabe se vai haver licitação,
se vão comprar novos carros. Essa é a dúvida que fica”,
comenta.
Segundo o vice-presidente do sindicato do funcionalismo, está marcada
para hoje uma assembléia geral com os funcionários do Saae (
Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Ele faz questão
de lembrar que a campanha salarial do funcionalismo segue e que reuniões
setoriais continuarão. Acrescenta ainda que o sindicato pretende marcar
uma audiência com o prefeito para tratar do reajuste salarial.
| REAJUSTE
SALARIAL EM DEBATE |
Em
relação às
negociações
do sindicato do funcionalismo
com a prefeitura, para tratar
do acordo coletivo dos servidores,
o vice-presidente da entidade,
Nilton dos Santos, acusa
a comissão de negociações
do governo municipal de não
ter apresentado nenhuma proposta
de reajuste salarial para
o trabalhador e, ainda, atribuir
ao sindicato a responsabilidade
de um estudo, tendo como
base a evolução
da folha de pagamento da
prefeitura nos últimos
anos, enquanto o governo
deveria fazê-lo. “Na
realidade, a prefeitura está tentando
empurrar a categoria contra
o sindicato e delegar uma
responsabilidade que não é a
nossa para, no fim, conceder
baixo reajuste salarial e
dizer que foi proposta do
sindicato. O prefeito quis
usar o sindicato para aumentar
o salário apenas dos
cargos comissionados, mas
não aceitamos isso”,
dispara Nilton, informando
que o presidente do sindicato,
José Francisco Campanelli,
se reuniu, ontem, com o chefe
do Legislativo, Ademir Melo
(PSDB), para contestar o
projeto de lei do Executivo
que dispõe sobre o
aumento do funcionalismo,
inclusive para “os
cargos demissíveis”,
conforme afirma o artigo
1º da lei. Segundo Nilton
dos Santos, hoje, em sessão
na câmara será discutida
a possibilidade de emendas
no projeto de lei.
“ Esse aumento não valeu de nada ao trabalhador. O reajuste nada
mais foi o que o governo federal fez, ao elevar o mínimo. Mais uma vez
quem ganha são os cargos comissionados”, completa o vice-presidente
do sindicato, ressaltando que a reivindicação do trabalhador é de,
no mínimo, 16% de reajuste.
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