Voltar   Douglas Jorge

FUNCIONALISMO
'Um desrespeito ao servidor'
Comissão e diretoria do sindicato fazem assembléia com trabalhadores da Susesp e criticam reajuste salarial

     BARRA MANSA - A Comissão de Trabalhadores da Superintendência de Obras e Serviços Públicos (Susesp) e a diretoria do Sindicato do Funcionalismo Público reuniram na manhã de ontem, na sede da autarquia, mais de 100 trabalhadores, em assembléia geral para discutir algumas reivindicações trabalhistas da categoria e passar os informes a respeito das audiências realizadas com o governo municipal.
     Um dos pontos mencionados, durante a assembléia, foi o reajuste salarial de 6% a 10% anunciado recentemente pelo prefeito. Segundo o vice-presidente do sindicato do funcionalismo e integrante da comissão de trabalhadores da Susesp, Nilton dos Santos, o governo municipal simplesmente ignorou a atuação do sindicato em plena campanha salarial dos servidores municipais. Ele lembra que ainda não foram marcadas audiências para tratar do assunto e que o reajuste anunciado não atende às reais necessidades dos trabalhadores. “Foi um desrespeito ao funcionalismo. Não temos mais esperança de entrar em um acordo com o prefeito em relação à questão salarial, porque ele não cumpre o que fala. Isso terá de ser tratado na Justiça”, avisa o sindicalista, convocando os funcionários a se informarem melhor no sindicato a respeito das ações judiciais em curso, dentre elas o processo que trata de níveis de referência.

AVALIAÇÃO

     De acordo com ele, os trabalhadores também aprovaram em assembléia medidas mais severas com relação a uma avaliação de produtividade dos profissionais da autarquia. Nilton dos Santos explica que os funcionários discordam de um dos critérios da avaliação, o de número 17, que estabelece penalidade aos funcionários que obtiverem avaliações baixas na maioria dos quesitos, entre eles assiduidade, produtividade, desempenho etc. “Foi votado que ou o secretário José Renato retira esse critério ou encerra essa avaliação. Do contrário, será acionada a Justiça, porque essa avaliação foi criada para estimular o trabalhador e não para puni-lo”, justifica Nilton dos Santos.
     Na assembléia geral, os trabalhadores fizeram algumas propostas de melhorias no serviço da Alivap, empresa que cuida da alimentação de cerca de 180 profissionais da Susep, cujo contrato de licitação está prestes a terminar. A aquisição de um filtro de água para a autarquia e a melhoria na qualidade das refeições foram duas das reivindicações apontadas pela categoria.

VEÍCULOS ALUGADOS

     Uma dúvida levantada durante a assembléia foi a questão dos veículos alugados pela prefeitura para serviços da Susesp. No total foram alugados sete veículos, no valor de R$ 1,2 mil cada da agência Localize de Volta Redonda, para atender os gerentes de alguns setores da autarquia.
     “A impressão é de que esses carros são de domínio de alguns gerentes. Eles foram adquiridos para substituir os carros que foram vendidos em leilão. Onde está o dinheiro desse leilão ninguém sabe, ninguém viu”, ironiza Nilton dos Santos, informando que foi dito na assembléia que o prazo do contrato do aluguel dos carros está em vias de terminar. “Está no ar, não se sabe se vai haver licitação, se vão comprar novos carros. Essa é a dúvida que fica”, comenta.
     Segundo o vice-presidente do sindicato do funcionalismo, está marcada para hoje uma assembléia geral com os funcionários do Saae ( Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Ele faz questão de lembrar que a campanha salarial do funcionalismo segue e que reuniões setoriais continuarão. Acrescenta ainda que o sindicato pretende marcar uma audiência com o prefeito para tratar do reajuste salarial.

REAJUSTE SALARIAL EM DEBATE

     Em relação às negociações do sindicato do funcionalismo com a prefeitura, para tratar do acordo coletivo dos servidores, o vice-presidente da entidade, Nilton dos Santos, acusa a comissão de negociações do governo municipal de não ter apresentado nenhuma proposta de reajuste salarial para o trabalhador e, ainda, atribuir ao sindicato a responsabilidade de um estudo, tendo como base a evolução da folha de pagamento da prefeitura nos últimos anos, enquanto o governo deveria fazê-lo. “Na realidade, a prefeitura está tentando empurrar a categoria contra o sindicato e delegar uma responsabilidade que não é a nossa para, no fim, conceder baixo reajuste salarial e dizer que foi proposta do sindicato. O prefeito quis usar o sindicato para aumentar o salário apenas dos cargos comissionados, mas não aceitamos isso”, dispara Nilton, informando que o presidente do sindicato, José Francisco Campanelli, se reuniu, ontem, com o chefe do Legislativo, Ademir Melo (PSDB), para contestar o projeto de lei do Executivo que dispõe sobre o aumento do funcionalismo, inclusive para “os cargos demissíveis”, conforme afirma o artigo 1º da lei. Segundo Nilton dos Santos, hoje, em sessão na câmara será discutida a possibilidade de emendas no projeto de lei.
     “ Esse aumento não valeu de nada ao trabalhador. O reajuste nada mais foi o que o governo federal fez, ao elevar o mínimo. Mais uma vez quem ganha são os cargos comissionados”, completa o vice-presidente do sindicato, ressaltando que a reivindicação do trabalhador é de, no mínimo, 16% de reajuste.