| Queima-roupa
Homicídio a sangue frio
Jovem que há 70 dias agrediu pai e
amarrou a mãe é assassinado
na Vila Independência
BARRA
MANSA - O homicídio de David
Ernesto, 20 anos, no início da tarde
de ontem, por volta das 12h30min, no bairro
Vila Independência, modificou a rotina
de vida de seus pais adotivos, Gabriel
Ernesto e Maria Aparecida Ernesto.
Segundo moradores do local, David estava
sentado na porta de um bar na Rua Manoel
Pires, quando dois homens o surpreenderam
com um tiro à queima-roupa no lado
direito da fronte. “Quando fui para
o almoço ele estava sentado, triste,
na porta do bar. De repente ouvi o barulho
do disparo e David, sem nenhuma reação,
caiu para trás no mesmo lugar onde
estava sentado”, diz um morador que
não quis ser identificado com medo
de represálias.
Gabriel Ernesto, 55 anos, pai adotivo de
David, diz que esperava que o filho um
dia mudasse de vida. Há 70 dias
ele havia arrumado um emprego para o filho,
que nunca trabalhou, no Centro da cidade. “Eu
tinha muitas esperanças que meu
filho tivesse largado a vida que levava
e se tornado um homem de verdade” diz,
acrescentando que apesar da esperança
teve que sair de seu lar, devido à agressividade
de David. "Eu havia conseguido um
emprego para ele, mas como não agüentava
mais suas agressões saí de
casa com minha esposa e nos mudamos para
outro bairro, no mesmo dia em que ele começou
a trabalhar. Quando ele chegou em casa
e descobriu que nossas coisas não
estavam mais lá, cheirou em torno
de cinco papelotes, foi até meu
serviço e me agrediu no meio da
rua”, afirma.
As agressões continuaram e David
fez seu pai levá-lo até sua
nova casa para que ele pudesse falar com
sua mãe. “Entre diversas ameaças,
inclusive de morte, ele me fez levá-lo
até minha esposa, que estava em
nossa nova casa. Chegando lá ele
pegou um lençol e fez com que Maria
voltasse ao seu antigo endereço,
onde ele a amarrou durante toda a noite.
Ela só foi solta com a chegada da
polícia, que foi acionada por vizinhos”,
lamenta.
David foi adotado aos seis meses de vida
pelo casal. “Na ocasião, por
vários dias ouvimos no rádio
uma oficial de Justiça pedir que
algum casal sem filhos acolhesse uma criança
de seis meses que fora abandonada. Então,
no dia 23 de dezembro de 1985, fui trabalhar
e quando retornei minha esposa estava com
David no colo. Apesar de todos os problemas
nós o amávamos”, conclui
emocionado Gabriel.
Segundo informações, o crime
foi praticado por dois homens de cor negra,
estatura mediana, que estavam a pé,
atiraram em David e fugiram por um matagal
próximo ao local do crime.
Os policiais militares da 2ª Cia do
28º Batalhão de Polícia
Militar Alcino e Amora chegaram ao local
por volta das 13 horas, quando foram acionados
através do disque-denúncia.
O corpo foi encaminhado para o IML de Três
Poços, no município de Volta
Redonda, para exames periciais.
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