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“Mestre Telê”

     Gravei na memória aquele 14 de junho de 1982. Eu, minha mãe Therezinha (hoje já falecida) e minhas duas irmãs, Rosângela e Nazaré, morávamos numa casa do bairro Vila Moderna, região central de Resende. Às 16 horas, estávamos como a grande maioria do povo brasileiro: sentados diante da TV, à espera da estréia do Brasil na Copa do Mundo contra a então União Soviética. Sofremos com a abertura do placar pelo time russo, mas vibramos logo depois quando Falcão e Éder marcaram os gols da virada brasileira.
     Foi a partir daquela segunda-feira que passei a admirar o trabalho de Telê Santana. Ao longo dos anos seguintes, manifestei por diversas vezes esta admiração, seja no bate-papo com os amigos ou no exercício do meu trabalho como jornalista. Além da competência profissional, duas características do técnico me despertavam a atenção: o amor pelo que fazia e a posição firme dos seus pontos de vista.
     Em 1985, quando atuava como repórter esportivo da Rádio Agulhas Negras, tive a oportunidade de ver Telê Santana pessoalmente durante a partida Brasil x Bolívia pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1986, no Estádio do Morumbi, em São Paulo: ao lado de companheiros de outras emissoras, fiquei à beira do gramado, próximo ao banco de reservas da seleção. No final da partida, já no vestiário, me juntei a um verdadeiro exército de repórteres que captavam uma declaração do técnico sobre a classificação do Brasil para o Mundial.
     Apenas lamento que ele nunca tenha comandado o Botafogo, time do meu coração, influência direta de três dos meus quatro tios maternos: Sebastião, Olímpio e Fabiano. O outro (Geraldo) se dizia flamenguista. Dos quatro, apenas tio Fabiano ainda é vivo e recentemente vibrou com a conquista do bicampeonato estadual pelo “Glorioso”. Minha mãe destoava dos irmãos: era Fluminense, time de Telê Santana, o que certamente explicava os constantes elogios que ela vivia fazendo ao técnico.
     Soube da morte do treinador pelo Jornal Nacional. Imediatamente vieram-me à mente as cenas reais daquela verdadeira explosão de felicidade em minha casa naquele 14 de junho de 1982, logo após o apito final do juiz, na partida contra a União Soviética. Brasil 2x1. Vitória de uma seleção comandada por este mineiro de Itabirito, que encantou o mundo com este verdadeiro espetáculo, chamado futebol arte.

Flávio Collistet
Jornalista e assessor de imprensa da Prefeitura de Quatis