| Paralisação
dos caminhoneiros é marcada por
tumultos
VOLTA
REDONDA - Continua o impasse entre
os caminhoneiros autônomos e as transportadoras
que prestam serviço para a CSN em
torno do reajuste do frete. Até o
final da tarde de ontem, os representantes
das transportadoras não haviam se
manifestado a favor dos trabalhadores e
as negociações seguiriam
durante toda a noite. O delegado regional
do Movimento Brasil União Caminheiro,
Francisco Wilde, deixou claro que caso
não haja acordo entre as partes
a decisão será levada em
assembléia e a tendência é de
continuarem as paralisações,
seguidas de manifestações,
a exemplo do que ocorreu nesta semana.
Segundo ele, as negociações
de ontem foram marcadas por uma série
de tumultos durante o dia, que se estenderam
até a noite. A confusão entre
caminhoneiros e funcionários das
transportadoras começou quando a
Tora Transportadora, sob pressão
da CSN, ao obter uma liminar da Justiça
proibiu a representação da
categoria de fazer manifestações
em frente ao pátio das transportadoras,
alegando que o Movimento União Caminhoneiros
estaria incitando os motoristas a não
trabalharem. “Isso não é verdade,
estamos apenas nos recusando a carregar
os caminhões pelo preço do
frete que as transportadoras querem. Na
realidade, quem está coagindo os
caminhoneiros são as transportadoras,
ameaçando suspender os contratos”,
esclareceu Wilde.
Na parte da tarde, também houve
desentendimentos entre as partes. Apenas
seis caminhões, da transportadora
Giovanella (RS), descarregaram no pátio
das transportadoras, o equivalente a 180
toneladas de bobinas de aço.
No momento da entrada dos caminhões
da Giovanella Transportadora houve tumultos
envolvendo a Polícia Militar. Por
conta disso, a entrega de cerca de dez
mil toneladas de bobinas de aço
ficou atrasada. O assessor de imprensa
do delegado regional do Movimento, Carlos
Henrique Pena, informou que a empresa gaúcha
ameaçou suspender o contrato com
a CSN em razão dos prejuízos
no transporte de cargas.
“
As transportadoras queriam que os caminhoneiros
voltassem ao trabalho. Pediram que ficassem
em estado de greve, mas deixassem os caminhões
de outras empresas descarregarem, e o pessoal
não concordou. A partir daí,
houve muita confusão”, afirma.
Desde o início da semana, quando
começou o movimento, caminhoneiros
que prestam serviços para cinco
empresas de transporte de carga - Andressa
Logística e Soma Transporte, Tora
Transportadora; Vera Mar; e TNL Transportadora
- fizeram manifestações em
frente ao pátio das transportadoras.
Por conta das paralisações,
mais de 15 mil toneladas de materiais da
CSN deixaram de ser transportados durante
o dia de ontem pelas transportadoras Expresso
Andressa (BM), Soma Transportes (BH) e
Tora Transportes (Contagem, MG).
Os caminhoneiros que atuam no Sul do Estado,
região metropolitana do Rio, interior
paulista, Grande São Paulo e Minas
Gerais reivindicam 15% de aumento salarial.
Já os do Sul do país pedem
um aumento de 10%. A primeira proposta
da categoria foi de 20%, mas acabaram reduzindo à metade.
MOBILIZAÇÃO
No final do ano passado, o Movimento enviou
um documento ao Centro de Controle Logístico
(CCL), que dá suporte aos caminhoneiros,
pedindo reajuste de 20%. Na ocasião,
as empresas recusaram a proposta, alegando
ter um acordo com o CCL, e diziam que o
reajuste seria inviável.
Nesse período, uma das empresas
que hoje atua no ramo de transporte de
cargas, a Soma Transportadora, reduziu
o valor do frete de R$ 32 para R$ 29, visando
entrar no mercado e driblar a concorrência.
Diante disso, a representação
do Movimento Brasil União Caminheiro
estabeleceu um prazo para que a transportadora
reajustasse o preço do frete. Como
não o fez até a data limite
(última segunda-feira), a categoria
deflagrou paralisação.
No total, cerca de 300 caminhoneiros cruzaram
os braços. Só na região
Sul Fluminense atuam cerca de 150 profissionais.
De acordo com a direção do
Movimento Brasil União Caminhoneiro,
com a paralisação, cerca
de 50 mil toneladas de bobinas de aço
ficaram sem carregamento. A CSN carrega
por dia cerca de 350 a 400 caminhões,
o equivalente a 15 mil toneladas de bobinas
de aço.
Na última paralisação,
realizada em 2004, os caminhoneiros ficaram
14 dias parados A categoria pediu 20% e
ganhou 18%.
A CSN não se manifestou sobre o
assunto. A informação é de
que no início deste ano foi realizado
um processo de licitação
para a escolha das transportadoras e o
valor do frete já havia sido acordado.
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