A
hora e a vez de repensar o sindicalismo
Nos últimos anos os sindicatos,
principalmente os de servidores públicos,
não têm conseguido passar
para a sociedade uma imagem da importância
do serviço público e dos
seus servidores. Sem querer abarcar todas
as causas da imagem negativa do serviço
público, entendemos que vale a pena
comentar alguns dos principais motivos
do fracasso das entidades sindicais dos
servidores públicos.
A greve, que é um instrumento legítimo,
tem sido utilizada para qualquer fim e
a qualquer hora, não se levando
em consideração a sociedade.
Isso é um erro, pois três
são os principais pilares da democracia,
a sociedade organizada, a mídia
e o parlamento. Se, na época da
ditadura, os movimentos de paralisação
eram vistos como afronta ao regime de força,
hoje, são vistos como causadores
de prejuízo para a sociedade.
E isso é simples de entender. O
que choca mais: a falta de reajuste para
o servidor ou a situação
do velhinho que ficou horas na fila sem
atendimento e que depende de uma aposentadoria
muito menor que a remuneração
do servidor paralisado? É evidente
supor que a sociedade organizada, a mídia
e o parlamento vão se sensibilizar
mais com aquele velhinho.
Então como fazer para demonstrar
a esses setores a importância do
que se reivindica? A resposta está em
deixar de defender apenas interesses corporativistas
e colocar-se ao lado da sociedade na busca
de seus legítimos interesses.
Não se trata aqui de defender que
uma entidade do fisco vá apoiar
a salvação das baleias africanas,
mas de interesses sociais ligados a sua área
de atuação. A título
de exemplo, atualmente, o Sindireceita
tem duas campanhas, uma voltada a favor
da formalidade e contra a pirataria e outra
a favor da edição de um código
nacional de defesa do contribuinte para
que haja equilíbrio na relação
fisco-contribuinte. Essa última
campanha, por sinal, vítima de ataques
de outras entidades do fisco, defensoras
ferrenhas de um corporativismo cego e surdo. É fácil
argumentar a favor de um código
de defesa do contribuinte, pois, na medida
que os contribuintes são melhores
atendidos, as atividades dos agentes do
fisco serão facilitadas e valorizadas,
ou seja, o reconhecimento dos profissionais
envolvidos será decorrência
natural.
Se um sindicato não deve aparecer
somente quando faz greve por aumento salarial,
também não deve aparecer
quando um de seus representantes candidata-se
a um cargo eletivo. Ou seja, os dirigentes
sindicais têm que se preocupar mais
com os trabalhadores que representam do
que com o apoio a partido ao qual estão
atrelados. A ligação estreita
de sindicatos com partidos políticos
tem sido extremamente nociva para seus
representados. Os sindicatos deveriam atuar
de forma independente.
Resumimos então algumas das características
que deveriam nortear um novo sindicalismo:
independência, politização
sem partidarização, preocupação
com a sociedade (a chamada responsabilidade
social), autenticidade com a mídia,
atuação no parlamento e legitimidade
no trato dos interesses dos representados.
Paulo Antenor de Oliveira
Presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal
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SINDIRECEITA -
pa@sindireceita.org.br
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