| CAMINHONEIROS
Paralisação acaba
Cerca de 150 profissionais
da região
cruzaram os braços por quatro dias
e meio, prejudicando a entrega de cerca de
15 mil toneladas de bobinas de aço
VOLTA
REDONDA - Depois de muitas discussões
e tumultos, os caminhoneiros autônomos
e as representações das transportadoras
que prestam serviço para a CSN chegaram
em um consenso. A categoria retornou ao
trabalho às 13 horas de ontem, com
a promessa das direções das
transportadoras de reajustarem minimamente
o valor do frete. Os índices variam
de 3% a 5% sobre o valor base, que está cotado
a R$ 28 por tonelada de carga.
Segundo o delegado regional do Movimento
Brasil União dos Caminhoneiros,
Francisco Wilde, ficou acordado nas negociações
que as transportadoras terão um
prazo de 90 dias para se pronunciarem sobre
o reajuste entre 10% e 15% reivindicado
pela categoria.
“
Foi feita uma barganha com as transportadoras.
Elas dariam um reajuste mínimo e
a categoria retornaria ao trabalho, mas
depois desse prazo, se eles não
resolverem a situação, vamos
parar novamente”, avisa ele, lembrando
que com esse tempo as transportadoras tentarão
buscar uma solução com a
CSN.
“
A CSN diz que não tem nada com isso,
que assinou contrato com o valor, mas a
gente sabe que a empresa sabe do custo
de tudo, senão ela leva prejuízo.
Claro que é um jogo, ela faz um
trabalho visando a lucro”, critica.
No total, cerca de 300 caminhoneiros cruzaram
os braços. Só na região
Sul Fluminense atuam cerca de 150 profissionais.
A categoria parou as atividades, pois alega
aumento de custos nas viagens e a falta
de rapasse por parte das transportadoras.
O delegado regional do Movimento afirma
que um dos fatores que contribuíram
para o aumento do frete foi a alta dos
combustíveis. “Numa viagem
para São Paulo, por exemplo, são
gastos 150 litros de óleo, fora
o desgaste dos pneus, valor dos pedágios,
despesas pessoais e outros custos. Em média,
os caminhoneiros gastam R$ 400. Esse valor é muito
alto, não tem como deixar de pedir
reajuste”, justifica.
Desde o início da semana, quando
começou o movimento, caminhoneiros
que prestam serviços para cinco
empresas de transporte de carga - Andressa
Logística, Soma Transporte, Tora
Transportadora, Vera Mar e TNL Transportadora
- fizeram várias manifestações
em frente ao pátio das transportadoras.
Segundo a direção do Movimento
Brasil União Caminhoneiro, a paralisação
de quatro dias e meio resultou no atraso
da entrega de cerca de 25 mil toneladas
de bobinas de aço. A CSN carrega
por dia cerca de 350 a 400 caminhões
que prestam serviço para montadoras,
fábricas de autopeças, indústrias
do setor de linha branca, entre outros
clientes.
Na última paralisação,
realizada em 2004, os caminhoneiros ficaram
14 dias parados A categoria pediu 20% e
ganhou 18%.
|