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Quadrilha
Mais cinco presos
Ex-candidato a vereador é acusado de chefiar quadrilha que amedrontava região juntamente com cabo eleitoral

     SUL FLUMINENSE - Mais cinco integrantes da quadrilha que estava amedrontando os comerciantes de Quatis e de outras cidades da região foram presos, na noite passada, em ação conjunta da Polícia Civil. Dos 13 integrantes que receberam o mandado de prisão por roubos e formação de quadrilha, três já estavam presos e cinco continuam em liberdade.
     Edson Vieira, que está sendo acusado de chefiar o bando, afirmou que a formação da quadrilha começou com Cosme Clay, que tem um cargo de confiança na Prefeitura de Quatis e foi candidato a vereador no último pleito. “Quando foi candidato ele trouxe vários de nossos amigos de infância para Quatis, para trabalhar pra ele. Como ele não ganhou eu fiquei aqui e passei muitos apertos, mas estava procurando ganhar dinheiro aqui”, diz Edson, se referindo a um galpão que estava alugado em seu nome e no de Cosme, que provavelmente seria uma boate na cidade de Quatis.
     Além do galpão, a casa onde Edson morava era de propriedade do comerciante Nelson Marques, 52 anos, que sofrera uma tentativa de seqüestro na última semana que culminou na prisão de José Vieira (irmão de Edson) e Lourival Silva Oliveira, que em depoimento na 94ª DP, de Piraí, confessou o crime e “entregou” Edson, que foi preso logo depois, o que culminou na emissão do mandado de prisão dos 13 homens.
     Uma ação realizada na manhã de ontem, na cidade de Belford Roxo, contou com 17 agentes policiais das delegacias de Porto Real, Barra Mansa, Piraí, da Regional de CRPI e Belford Roxo. Cosme foi o único preso na cidade de Quatis.
     Estão preso na 100ª DP: Cosme Clay Inácio, Edson Vieira, Adson Vieira, Richardson da Silva Pereira, Pedro Henrique Freitas, João Carlos Rodrigues (João Pangaré). Na 94ª DP estão Lourival Silva de Oliveira e José Vieira Júnior. Fábio de Souza Carvalho, Ricardo Rangel de Souza, David de tal, Thiago de tal e um homem conhecido como Cara de Cachorro ainda estão sendo procurados pela polícia.

Alexssandro

     *Em depoimento na 94ª DP, Lourival Silva revelou que eles precisavam de um veículo para um roubo, momento em que pegaram carona em Barra Mansa com o comerciário Alexssandro Vianna, 22 anos, próximo ao viaduto da Bocaininha e o levaram até o galpão que seria a boate de Édson e Cosme, em Quatis.
     Em determinado momento, Alexssandro saiu do carro para urinar e foi rendido pela quadrilha. Segundo informações ele teria reagido e acabou sendo amarrado e jogado no Rio Paraíba, na altura do distrito de Floriano, em Barra Mansa.
     Durante cinco dias policiais e homens do Corpo de Bombeiros realizram busca em todo o percurso do Rio Paraíba na região, com barcos, mergulhadores e helicóptero.
     Quarta-feira, foi achado um corpo na altura do Parque Maíra, em Pinheiral, que inicialmente a polícia achou que seria de Alexssandro. Durante o reconhecimento da família, três dos seis parentes não conseguiram identificar o corpo. Por esse motivo o delegado Wagner Seixas, da 90ª DP, pediu para que fosse realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) um exame de papiloscopia (confronto digital de Alexssandro com o do corpo encontrado); não sendo possível a confirmação pelo mau estado do corpo.
     A família e a polícia agora esperam o exame de DNA, que foi pedido pelo delegado Wagner na tarde de quinta-feira.

Engano

     Em entrevista na tarde ontem, Edson afirmou que o que estava programado para acontecer era o latrocínio de dono de um posto de gasolina de Quatis, chamado Pedro. Segundo ele, o mando foi de Cosme, que queria primeiro roubar e depois matar o proprietário por uma velha rixa. A acusação não foi confirmada por Cosme.
     Ele ainda disse que no momento do crime o tal Pedro não estava no local que imaginaram, mas para não perderem a viagem ele indicou o proprietário de sua casa, o comerciante Nelson Marques Silva, 52 anos, que foi pego por José Vieira e Lourival e levado em seu carro, uma Tracker Prata.
     Por sorte de Nelson, quando a quadrilha chegou ao posto da Polícia Rodoviária Federal em Piraí, um dos inspetores achou estranha a movimentação do veículo e pediu que eles parassem, momento em que descobriram que se tratava de roubo e uma tentativa de seqüestro. Nelson, que seria levado para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, então foi solto.

Como agiam

     Segundo Edson Vieira, em entrevista coletiva na tarde de ontem, ele estava em Quatis, para trabalhar, mas como a vida estava difícil começou a ser olheiro de Cosme e passar os crimes. “Eu apenas mostrava os locais, quem organizava tudo era o Doutor Cosme”, disse, acrescentando que o roubo a uma omobiliária e a loja de confecções foi passado por ele, mas não participou de nenhum deles.
     Segundo o delegado Marcelo Nunes, apesar de negar e acusar o outro, eles (Cosme e Edson) são os chefes da quadrilha. Em depoimento, Edson afirmou que estavam tentando abrir uma boate em Quatis. Por esse motivo alugaram de Nelson Gomes (que escapou do seqüestro) um galpão próximo a sua casa, que iria virar casa de show. Porém, segundo um vizinho de Edson, o galpão estaria sendo usado para arquitetar e realizar os crimes.
     Cosme, que trabalha como diretor de Atenção Primária, atuando na contratação e gerenciamento de profissionais da área de saúde, cargo de confiança na Prefeitura de Quatis, negou tudo, dizendo ser mais uma vítima da quadrilha.

Família

     Dos 13 mandados expedidos, três foram para membros da mesma família. Os irmãos Edson, Adilson e José seriam comparsas nos crimes. Porém, durante a entrevista Edson disse que Adilson, o mais velho dos três, não tem nenhum envolvimento com a quadrilha. “Esse aqui (apontando para o irmão) não tem nada a ver com isso, eu e José, que é meu irmão por parte de pai, que estamos envolvidos; Adilson é um homem honesto”, afirmou.
     Edson revelou que todos eram amigos de infância, inclusive Cosme. “Eu conheço todo mundo aqui, nós nascemos em Belford Roxo”, disse, reafirmando que veio para Quatis a pedido de Cosme.
     Cumprindo o mandado de prisão, Adilson e outros prováveis integrantes da quadrilha permanecerão presos e após as atividades de praxe que serão feitas na 100ª DP serão transferidos para a Polinter, no Rio de Janeiro.