Voltar   Douglas Jorge

Associação de Pais, Amigos e Surdos realiza primeiro evento na cidade

     BARRA MANSA - A Câmara Municipal sediou, na noite de ontem, o I Encontro de Surdos, promovido pela Associação de Pais, Amigos e Surdos (Apas). Mais de 150 pessoas lotaram o auditório da Casa para comemorar um ano de existência da Lei 10.436, de 2002, que regulamenta a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Além disso, os participantes puderam conhecer as principais dificuldades encontradas pelos deficientes auditivos.
     Quatro palestras foram realizadas: Associação e formação de intérpretes, ministrada pela pedagoga e intérprete, professora Mariléia de Almeida; A importância da Libras, pela instrutora do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis), Alexandra Ferreira Paiva; O surdo: necessidades, a Lê 10.436 e sua importância, ministrada pelo coordenador da Feneis, Fernando Valverde; e O surdo e o mercado de trabalho, por Ronise Oliveira, escritora.
     De acordo com o presidente da Apas, Ueslei Carlos de Brito, a associação, fundada em novembro passado, tem o objetivo de lutar pela inclusão do surdo na sociedade, destacando sua importância. “Eles ainda são excluídos. As pessoas não entendem sua língua, por isso a divulgação da Libras nas escolas e repartições públicas”, afirma. Ueslei informou que o próximo passo da entidade será a busca por parcerias com o poder público e a sociedade civil. Atualmente a Apas trabalha com oficinas de libras para surdos e ouvintes, mas existem outros projetos para qualificação de mão-de-obra, cursos de capacitação, que só são possíveis com parcerias.
     A associação conta com 60 associados, mas os surdos ainda estão ingressando. “Eles mesmos estão desacreditados com os trabalhos em prol deles. Agora que estão chegando. Temos 20 surdos associados”, conta. Para Rafael Carvalho da Silva, 44 anos, deficiente de nascença, o que falta é melhorar os direitos dos surdos, assim como a cultura. “Faltam professores, intérpretes. Temos dificuldades para entender o que está sendo dito e vice-versa. Nas escolas, todos deveriam saber a Libras”, di, auxiliado por intérprete.
     Estiveram presentes no evento representantes do Poder Público, a vereadora Sônia Coutinho (PSB), também coordenadora do Centro de Atendimento aos Portadores de Necessidades Especiais (Ceat), o presidente da Organização e Integração de Conscientização Negra de Barra Mansa (Oicn), José Francisco de Oliveira, entre outros.
     A Apas realiza reuniões na sede do Sindicato do Funcionalismo em todos os primeiros sábados de cada mês, às 17 horas.