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Amigos para sempre

     Em uma de suas mais belas crônicas, a escritora cearense Rachel de Queiroz descreve as delícias da arte de ser avó. Para a consagrada autora de O Memorial de Maria Moura, os netos são como heranças, um ato de Deus que, de repente, cai do céu. A amizade entre avós e netos constitui realmente um dos mais belos capítulos da história da humanidade, além de ser o mais forte sinal para o futuro.
     Crianças e idosos formam as duas pontas da sociedade, oferecendo entre o novo e a experiência. Apesar dessa evidência natural, no entanto crianças e idosos compõem justamente as camadas mais sacrificadas da nossa sociedade. A falta de uma ação política efetiva para os menores de rua equipara-se às inúmeras carências enfrentadas pelos cidadãos da terceira idade em áreas, como a previdência social e a saúde pública, por exemplo.
     E para corrigir esse erro é preciso investir o mais rápido na troca de vivência entre os mais jovens e os mais velhos, valorizando-os. Não apenas no núcleo familiar, mas sobretudo nas instituições sociais. Cuidando bem das crianças e ensinando-as a aprender desde cedo com os ensinamentos dos mais velhos, o Brasil com certeza, irá mudar seu perfil.

Sérgio Cabral
Senador


Rio na presidência

     Há décadas o Rio de Janeiro vem sofrendo conseqüências com as mudanças causadas por diversos setores da sociedade e pela política nacional.
     Antiga Capital Federal, o Rio está até hoje pagando o preço por conta da transferência para Brasília. Além disso, a fusão do Estado da Guanabara, a transferência do centro financeiro para São Paulo, o fechamento da Bolsa de Valores, entre outras coisas, contribuíram para o esvaziamento da Cidade e do Estado, agressões que respingaram até no movimento do aeroporto internacional. O Rio ficou órfão, carente de um representante de expressão nacional que pudesse defender seus interesses.
     A ascensão do narcotráfico na década de 80 e o surgimento de várias facções criminosas, também ajudaram para a degradação do Rio, que ainda sofreu com a multiplicação desenfreada de favelas, mais de 600, dentro do perímetro urbano. O resultado é um Rio com graves problemas na saúde, educação, segurança etc. Para piorar, há anos o governo federal mantém uma postura omissa e negligente para com o Rio de Janeiro, havendo uma espécie de preferência por São Paulo.
     Passado 20 anos da queda da ditadura, é inegável o avanço do processo democrático nacional. Sem dúvida, o brasileiro amadureceu, embora ainda haja muito a ser conquistado. Cada vez mais precisamos ter a consciência da importância do voto, principal arma da democracia. Todo eleitor deve escolher nas eleições os políticos éticos, compromissados com a verdade, com o desenvolvimento social e com o bem-estar da população.
     Dizem que cada povo tem o governo que merece. Por isso, nós, cariocas e fluminenses, temos a obrigação de amadurecer a idéia de que, independente de nomes, precisamos eleger um presidente do Rio de Janeiro. Alguém com vontade política de nos representar para revitalizar aquela que sempre será a capital cultural do Brasil.

Marcos Espínola
Advogado e membro da Associação
Internacional de Criminologia