| SAÚDE
Unidades sem médicos
Usuários criticam atendimento na rede
municipal de saúde
VOLTA
REDONDA - A falta de médicos
nas unidades de saúde do município
está deixando a população
indignada. Seja noite ou dia, a espera
pelos profissionais tem causado tumultos,
principalmente nos Cais-Aterrado e Conforto,
como também no Hospital Municipal
do Retiro (HMR). Inicialmente, a reclamação
era somente pela diminuição
de pediatras nessas unidades, mas com o
passar do tempo os usuários têm
sentido também a falta de outros
profissionais, como clínico geral.
Segundo os reclamantes, a situação
tem deixado milhares de pessoas desesperadas.
Durante duas semanas, atendendo a pedidos
de usuários, a reportagem de A VOZ
DA CIDADE percorreu o Hospital do Retiro
e os Cais - Aterrado e Conforto em diversos
horários e constatou que a falta
de profissionais tem ocorrido em todos
os momentos. No início da semana
passada, um grande tumulto foi formado
no Cais-Conforto pelo atendimento precário
na unidade. Os funcionários justificaram
que a situação daquele dia
se deu por conta do grande número
de pacientes e a pouca quantidade de médicos.
A dona-de-casa Maria das Graças
Aluedo foi nesse dia ao local e teve que
esperar cerca de 40 minutos para ser atendida.
Ela conta que foi consultar porque estava
com uma forte dor no estômago e quase
desistiu por causa da demora.
DESCASO
Como Maria das Graças, outros pacientes
classificaram a situação
como de descaso das autoridades locais.
No mesmo dia, outra dona-de-casa, Anadir
Moreira da Silva, passou pela mesma situação.
Foi à unidade consultar e só conseguiu
passar por um médico cerca de uma
hora depois. Maria das Graças e
Anadir ainda conseguiram consultar, mas
outros voltaram aquele dia para casa sem
sequer entrar no consultório. É o
caso da doméstica Márcia
Aparecida Alves, 34 anos. Ela chegou ao
local por volta das 11 horas e às
17 não havia conseguido atendimento.
Cansada de esperar na quilométrica
fila, decidiu voltar para casa e tentar
a consulta no dia seguinte. “Não
dá para esperar mais. Vou embora
e nem sei se vou voltar. Acho que vou tentar
remédio caseiro, pois ficar aqui
a minha saúde vai piorar. Vou ficar
nervosa e piorar as minhas condições”,
reclamou, garantindo não voltar
mais ao Cais. Para ela, a situação
da saúde em Volta Redonda está a
mesma de Barra mansa. “Falam que
em Barra Mansa o descaso da saúde é total
e a daqui, também. Tudo no mesmo
barco, ou seja, a mesma porcaria. Nenhuma
das cidades fica devendo uma para a outra
em relação ao péssimo
atendimento”, completa.
Como pôde constatar a reportagem
de A VOZ DA CIDADE, a situação
do Cais-Aterrado é a mesma. No local,
todos os dias os pacientes são muitos
para poucos profissionais. Na semana passada,
véspera de feriado, o atendimento
estava tão precário que uma
senhora decidiu sair do local depois de
quase três horas de espera. Ela foi
levar a filha adolescente para consultar,
mas não suportou o descaso. Segundo
ela, além de somente dois clínicos
estarem atendendo eles demoravam muito
para abrir a porta do consultório.
De um paciente para o outro os médicos
levavam quase meia hora para chamar o seguinte. “Isso
não é porque eles estão
fazendo uma boa consulta, não. A
verdade é que eles estão
trabalhando de má vontade. Sabemos
que eles não têm aumento de
salário há muitos anos, mas
nós não temos culpa. Porque
eles não fazem como a maioria que
está deixando a rede pública
e indo para os hospitais particulares”,
sugere a dona-de-casa Suely Aparecida da
Conceição.
FALTA DE PROFISSIONAIS NOS FERIADOS
De acordo com os usuários, a falta
de profissionais fica mais complicada nos
finais de semana e nos feriados. Além
de poucos profissionais, eles demoram mais
para atender. Até mesmo para aferir
pressão a situação
se complica nesses dias. “A verdade é que
na maioria das vezes a gente tem que sair
daqui do Aterrado para ir ao Hospital Santa
Margarida, no bairro Niterói, para
aferir pressão, pois no Cais é uma
dificuldade fora do comum. Em dias normais,
para ver a pressão, a gente tem
que enfrentar uma enorme fila para passar
pelo clínico, que está em
falta. Já nos finais de semana e
nos feriados a situação se
complica ainda mais, pois falta médico
e aí a gente tem que ficar sem verificar
a pressão. É horrível
essa situação. Além
do mais, os postinhos de bairros só funcionam
de segunda a sexta-feira, até as
17 horas. Quem chega do trabalho após
essa hora ou enfrenta a fila quilométrica
dos Cais ou vai aos hospitais particulares. É uma
vergonha. Depois dizem que Volta Redonda
está em primeiro lugar em relação à saúde”,
critica a aposentada Maria Emilia de Figueiredo,
65 anos.
| Secretária
procurada para falar sobre problema |
Procurada
pela reportagem de A VOZ
DA CIDADE para falar sobre
a falta de clínicos
nos Cais-Aterrado e Conforto
e no Hospital do Retiro,
a secretária municipal
de Saúde, Neuza Jordão,
não foi encontrada.
Em outra ocasião,
ela justificou a falta de
pediatras nas unidades dizendo
que os profissionais estão
em falta na cidade, mas que
a secretaria estaria contratando
de municípios vizinhos
até a realização
do concurso da saúde
em Volta Redonda, previsto
para 2007.
Na ocasião ela admitiu que a cidade está com
falta de pediatra e que o prefeito Gothardo Netto (PV), juntamente com a Secretaria
Municipal de Saúde, está empenhado em realizar o concurso público
para que a população não sofra com essa falta. Lembrou ainda
que este ano não é possível realizar o concurso por causa
das eleições, mas garantiu que as contratações de
pediatras vão continuar sendo feitas.
A secretária admitiu ainda que não
só a pediatria estaria precisando de atenção, mas toda a área
da saúde e que todos os passos estariam sendo dados para que a saúde
melhore no município. Jordão havia citado como empenho de melhoria
a implantação dos Programas de Saúde da Família (PSFs)
em Volta Redonda. Para ela, os PFSs serão os principais itens para que
a saúde melhore para toda a população voltarredondense.
Ela espera que até o final do ano 100% dos PFS estejam implantados.
FALTA DE INCENTIVO SALARIAL
A
exemplo de grande parte da
população,
o presidente do Sindicato
do Funcionalismo Público
do município, Sérgio
Montenegro, cita a falta
de incentivo salarial para
os profissionais como a principal
causa para a precariedade
na área de saúde.
Os médicos e enfermeiros
estão há dez
anos sem aumento de salário
e isso tem feito muitos deles
deixarem os hospitais e unidades
da rede municipal. Para Montenegro,
a falta de concurso público
na prefeitura é outro
motivo que está causando
transtornos em todas as áreas,
principalmente na da saúde.
De acordo com o sindicalista, há uma rotatividade
muito grande de funcionários que estão sendo contratados com salário
baixo. “Por serem contratados, muitos, principalmente médicos, estão
desistindo do trabalho. Com isso, as unidades de saúde acabam sendo atingidas”,
justifica. |
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