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Mauricio de Sousa ministra palestra em Barra Mansa

     Um público de 1,3 mil pessoas, entre educadores, universitários e populares, lotou o ginásio do Colégio Verbo Divino, terça-feira, para participar da palestra intitulada A influência dos personagens na alfabetização da criança, com o criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa. Promovido pela Coordenação de Extensão Universitária, o evento abriu oficialmente as atividades da III Semana de Educação do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa), que seguem até sexta-feira, nas unidades Cicuta e Barra Mansa.
     Durante a palestra Mauricio de Sousa falou sobre projetos nacionais e internacionais voltados para educação, criação e influência de seus personagens na formação educativa de gerações, a utilização do gibi no processo de alfabetização, mercado editorial e de animação e educação brasileira como um todo.
     Uma das curiosidades de milhares de leitores foi revelada na palestra. Mauricio de Sousa disse que os personagens da Turma da Mônica foram inspirados em seus dez filhos e em outros parentes, como seu tio-avô, que teve traços revelados no personagem de Chico Bento. Mônica, personagem de gênio forte e Magali, a menina comilona, por exemplo, receberam características pessoais de suas filhas em doses exageradas. O alter ego do criador da Mônica e sua turma pode ser percebido no personagem do dinossauro Horácio. “Com o Horácio, mostro algumas das minhas características, conto o que está se passando comigo. Quando criei o personagem era mais visível. As pessoas que me conheciam bem sabiam o que estava se passando, mas ao longo do tempo fui tomando mais cuidado”, revela.
     Questionado sobre projetos educativos no Brasil voltados para a TV, o escritor e desenhista afirmou ter vários, mas disse que não são executados por falta de propostas de emissoras brasileiras. “Eu tenho vários projetos para a TV, mas elas não têm nenhum para mim”, ressaltou Maruricio de Sousa, lembrando que dezenas de programas com seus personagens foram exibidos em emissoras de Portugal, Itália e Coréia, entre outros países.
     “ Temos também um projeto recente na Argentina. Houve um convite do jogador Maradona para que fizéssemos uma revistinha com o personagem dele, nos moldes do Pelezinho. Como ele tem uma biografia interessante, aceitamos e vamos produzir o material”, informou Mauricio de Sousa, adiantando que está a caminho uma produção com o personagem do jogador Ronaldinho. No final deste ano, também será lançado o filme da Turma da Mônica em todo o Brasil.
     Mauricio de Souza criticou sutilmente a estratégia de marketing e a distribuição dos exemplares no país. Disse que o mercado editorial ainda precisa ganhar fôlego. Uma acadêmica do curso de Pedagogia do UBM lhe sugeriu que reeditasse uma revista na qual abordava ditos populares e o palestrante respondeu: “Vou dar um toque no pessoal da editora (Globo) para lançar um livro sobre ditos populares. Se isso acontecer, podem estar certos que foi pela sugestão da aluna”, brincou.
     Em relação aos críticos dos personagens de A Turma da Mônica, principalmente no que diz respeito ao comportamento lingüístico de Cebolinha, personagem que pronuncia as palavras de forma errada, trocando a letra ‘l’ pela ‘r’, Maurício de Sousa limitou-se a dizer que a criação do personagem não teve a intenção de influenciar negativamente no processo de alfabetização das crianças, mas contribuir para trabalhos educativos em sala de aula. Da mesma forma, o autor falou sobre questões raciais e regionais, ressaltando a contribuição dos personagens de Jeremias e Chico Bento, respectivamente. “Não existe raça branca nem negra nos quadrinhos, o que há é a raça humana. Assim como faço uma homenagem a mais de 25 milhões de brasileiros que moram no interior pelo falar de Chico Bento”, afirmou Mauricio de Sousa, acrescentando que a maioria dos personagens de A turma da Mônica não está na escola como uma forma de protestar contra o atual sistema educativo do País, o qual ele julga ainda caminhar em ritmo lento.