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ALÉM DA PIPOCA
O Albergue

     Inspirado (ou não) no Massacre da Serra Elétrica, entra em cartaz nos cinemas da região o igualmente sanguinário O Albergue, do diretor Eli Roth. O filme é violento, sádico e com um tempero especial, sangue. Precisamente 150 galões do líquido vermelho, três vezes mais que o primeiro filme de Roth. O longa tem produção do cultuado Quentin Tarantino e promete levar às telonas "o filme americano mais assustador em uma década".
     Não é um filme que agrade a muitas pessoas, na verdade, dificilmente agradará a alguém. Porém, tanto nos EUA quanto no mercado internacional, O Albergue tem forte apelo junto ao público jovem. Segundo pesquisas, atrai platéia com menos de 25 anos, com destaque para os homens.
     Assim como no Massacre da Serra Elétrica, O Albergue mostra até onde pode chegar a crueldade humana. O enredo é interessante e para quem gosta de ver o mocinho se vingar, digo, se vingar com a mesma crueldade a que foi submetido, então esse é o filme.
     Paxton (interpretado por Jay Hernandez) acaba sendo vítima, com dois amigos, de uma espécie de clube da tortura ao cair no velho truque do “boa noite Cinderela”. Atraídos por drogas fáceis e sexo liberado, os amigos vão parar na Eslováquia, lá são seduzidos por duas belas nativas e entre uma bebida e outra ambos passam mal. Um deles é levado para o clube da tortura e Paxton tem mais sorte e cai desmaiado no banheiro e não é levado.
     O enredo. até chegar ao ponto em que os amigos são levados para a tortura, lembra mais um filme adolescente. Ou seja, amigos à procura de diversão. Entretanto, na metade do filme tudo muda e a violência toma conta da história. Paxton, ao acordar, começa a procurar seus amigos e encontra as duas mulheres que o seduziram. Sem entender nada, pede a elas que mostrem a ele onde estão seus colegas e sem pestanejar as amigas concordam. Mal sabia Paxton que seria levado também para o “clube da tortura”.
     Chega um ponto da história em que nos perguntamos: “Por que eles são torturados?”. A resposta é simples. Os integrantes do clube pagam para que turistas sejam seqüestrados para serem as “cobaias” de seus algozes, que sentem prazer em torturar alguém.
     O diretor teve a idéia para o roteiro quando encontrou na Internet sites em que pessoas pagavam grandes quantias de dinheiro para que, em troca, pudessem praticar atos de extrema violência com seres humanos. Roth logo pensou que daria para fazer um fantástico roteiro sobre o assunto e pediu ajuda a Tarantino, que imediatamente apoiou a idéia. Pronto. Estava feita a parceria.
     No final do filme ouvimos os comentários mais exaltados das mulheres: “Nossa, que filme horroroso”, realmente, pedaços de corpos, braços decepados, aparecem (e muito), durante todo o filme.
     O mocinho da história, inclusive, perde dois dedos durante a sessão de tortura, mas a vingança, pelo menos no filme, é um prato que se come quente e rápido! Após tanta crueldade com Paxton, ver o mocinho levantando e cortando com canivete, bem devagarinho, os outros dedos de um de seus algozes é fantástico!
     O filme agradou tanto às empresas Screen Gems e Lionsgate, produtoras do filme, que ambas já estão planejando uma continuação, afinal o orçamento do filme foi de US$ 4,5 milhões e até agora o longa já arrecadou US$ 71,7 milhões de bilheteria mundial, um recorde!
     Para quem gosta de um bom trash, esse eu recomendo. Para quem não gosta de violência, é melhor passar longe.

Felipe Cruz é acadêmico de jornalismo
do Centro Universitário de Barra Mansa
e apaixonado por Cinema