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A nobreza dos sonhos

     A greve de fome é um direito nobre da humanidade. Homens maiores sempre recorreram a ela para comungaram com o que estava acima de nós. Cristã, budista e sagrada, a greve de fome vem alimentando os corações e os sonhos de toda humanidade.
     Jesus Cristo vivendo no deserto de homens e ideais descobriu que nem só de pão vive o homem. Depois, voltou, fermentado em luz e amor para revelar aos seus que o sacrifico é, sobretudo, libertador. Estava tocado por toda luz que emana do Senhor. Até hoje, sua vida ilumina os caminhos de muitos, dos que estão distante de tudo e de todos.
     O frei Luís Flávio Capio, antevendo o martírio a que seria submetido o seu povo e o Rio São Francisco, por meio da transposição da negligência pública, deu seu sacrifício, sua fome, para não faltar vida e comida aos que vivem às margens do rio e às margens da história.
     Até aqui, a greve de fome foi o instrumento nobre daqueles que não acreditavam na greve da Justiça, na greve da verdade, na greve dos sonhos. Agora, assistimos pelas telas das tvs a pirraça de um garotinho, que com o mesmo respeito que trata suas coisas, usa o direito nobre da greve de fome em benefício próprio. Até então, a greve de fome sempre foi usada para um fim. Mas para o político Garotinho ela é um meio para se afastar, para se distanciar dos seus problemas, para fazer barulho e alarde. Um equivoco!

Petrônio Souza Gonçalves
é jornalista e escritor