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Denúncia
Caos na saúde
Doentes graves disputam vagas em UTI em Hospital Municipal

     VOLTA REDONDA - Por volta das 16h45min do último dia 23, depois de sofrer uma parada cardíaca em casa, na Rua Santa Rita, 115, no bairro Retiro, o adolescente Paulo Ricardo Regazi Pitácio Fiorito, 14 anos, foi levado pela família ao Hospital São João Batista (HSJB). Segundo a mãe do garoto, a dona-de-casa Maria Paula Regazi Pitácio Fiorito, cerca de 20 minutos depois, no local, o atendimento foi feito e a criança, reanimada. “Depois de receber os primeiros socorros meu filho voltou consciente. Ele mexeu com a boca e chorou. Só que, por ter faltado oxigênio no cérebro dele, haveria necessidade de ele ser atendido por um neurologista ou mesmo levado para a Unidade Intensiva de Tratamento (UTI), mas isso não aconteceu. É que quando o meu filho estava no hospital chegou uma outra pessoa com traumatismo craniano. Como só existia uma vaga na UTI, o hospital tinha que decidir entre um paciente e outro. Foi quando decidiram pelo outro e deixaram meu filho que em seguida foi entubado e levado para o Hospital Municipal do Retiro (HMR) numa ambulância, onde continua até hoje (ontem), já com morte cerebral”, relata Maria Paula, ressaltando que se o filho tivesse sido atendido por um neurologista e logo levado para a UTI, com certeza, seu quadro hoje seria outro, bem mais animador.
     Maria Paula conta que ao sair do São João Batista seu filho estava atendendo, mas quando chegou ao Hospital do Retiro foi constatado que estava em coma induzido. “Isso aconteceu porque ele precisava fazer de imediato uma tomografia para ver a lesão no cérebro. Qualquer um sabe que ele não poderia ser removido de um hospital para outro naquela hora. Para mim foi um descaso total”, critica. Ela diz ainda que mesmo diante do caso grave da criança a tomografia só foi feita seis dias depois, no dia 29. Assim mesmo porque houve muita insistência da família. “Além da demora para fazer a tomografia meu filho não chegou a ser avaliado por um neurologista. Para se ter uma idéia, o exame foi levado de um hospital para outro para que fosse avaliado. O médico avaliou o exame, mas nem sequer viu o meu filho. É essa uma das minhas grandes revoltas”, reclama a mãe.
     A família foi informada de que a criança teve morte cerebral na última terça-feira. “Sei que para meu filho o que estou fazendo não vai valer de nada, mas a minha luta é para ver se isso não acontece com outras pessoas. É triste ouvir com ironia de um médico que a vida do seu filho não depende de um laudo. Sei que isso é verdade, mas como mãe tenho o direito de entender o que está acontecendo com a criança. E isso não ocorreu”, completa Maria Paula, garantindo que o quadro da criança piorou por falha médica, pois os médicos deveriam ter pedido a tomografia.

CONSELHO TUTELAR

     Maria Paula conta que no mesmo dia em que o filho foi levado ao hospital acionou o Conselho Tutelar para ver se conseguia o exame, mas nem isso adiantou, pois foi informada que a secretária municipal de Saúde, Neuza Jordão, garantiu que não havia neurologista nos hospitais. Procurado pela reportagem de A VOZ DA CIDADE para falar sobre o assunto, o conselheiro tutelar Antônio de Souza Luiz confirmou que foi chamado pela família e que tomou todas as providências cabíveis. Souza só negou que a secretária tenha falado que os hospitais estavam sem neurologista, já que se encontrava um no São João Batista. “Fui procurado pela família e logo entrei em contato com a secretária Jordão, que mandou eu falar com a direção do Hospital do Retiro. Foi o que fiz. Entendemos o que ocorreu no São João Batista, onde só havia um leito para dois pacientes. Isso porque imediatamente o menino foi transferido numa UTI Móvel para o Retiro, onde se dispunha de vagas na UTI”, conta o conselheiro, ressaltando que é testemunha de que todo o atendimento necessário foi prestado ao garoto. “Entendo o sofrimento da mãe, mas a família já estava ciente de que, desde a internação, o quadro de saúde do menino não era nada animador”, completa.

RESPOSTA DA PREFEITURA

     Procurado também pela reportagem de A VOZ DA CIDADE para falar sobre o assunto, o assessor de imprensa da prefeitura, Ricardo Balarini, explicou que o adolescente recebeu todos os atendimentos necessários, como também fez vários exames. “Temos consciência de que tudo foi feito, mas infelizmente o quadro dele não é bom, e a família sabe disso, pois os médicos não esconderam nada. Sei que todos os familiares estão desesperados com a situação, mas se tiverem algum tipo de reclamação a fazer por escrito e levar até a Secretaria Municipal de Saúde ou ao próprio hospital para que as providências sejam tomadas de imediatamente”, sugeriu. Em relação à escolha de qual paciente ir para a UTI, o assessor esclareceu que isso pode ser feito, sim. “A decisão tem que ser do médico. No caso da situação do garoto, é gravíssima e a família sabe disso, pois os médicos não deixaram de informar”, completou. Ele disse ainda que a direção do hospital está à disposição da família para tirar qualquer dúvida sobre a situação do menino.