Voltar   Arquivo Cris Oliveira
Baltazar: “Caso seja comprovado seu envolvimento não hesitarei em puni-lo exemplarmente”

OPERAÇÃO SANGUESSUGA
Nome de assessor é citado
Deputado afirma que ficou chocado com a notícia e pretende averiguar tudo

     VOLTA REDONDA/BRASÍLIA - O nome de um dos assessores do deputado federal Paulo Baltazar (PSB) foi citado por terceiros em uma gravação da Polícia Federal nas investigações da Operação Sanguessuga, esquema de corrupção que fraudava licitações para compra de ambulâncias e fabricava emendas ao Orçamento Geral da União. O deputado, que chegou ontem de uma viagem a Cuba, diz ter ficado estarrecido quanto tomou conhecimento do fato.
     “ O nome do meu assessor Paulo Roberto Correia foi citado por terceiros em conversas telefônicas gravadas. Caso seja comprovado seu envolvimento, não hesitarei em puni-lo exemplarmente”, afirma, acrescentando que, caso contrário, se não tiver culpa vai defendê-lo. “Repudio veementemente a citação de meu nome em qualquer fato suspeito de irregularidades na liberação de emendas”, destaca.
     O deputado esclarece que a investigação da Polícia Federal aborda o envolvimento de assessores de parlamentares no esquema de liberação de emendas por meio de licitação em que todos já saberiam os vencedores.
     Baltazar frisa que o pedido para aquisição de ambulâncias ou qualquer outro projeto se origina de prefeituras e de lideranças diversas. “A partir da aceitação desse pedido e a sua inclusão no Orçamento não há qualquer interferência parlamentar nesse processo. Os prefeitos e entidades solicitantes são inteiramente responsáveis pela licitação, compra do equipamento solicitado e posterior prestação de contas. Essa não é função de um deputado”, afirma.
     Além disso, Baltazar cita o papel de seu assessor na câmara. Ele conta que Paulo é responsável por verificar com prefeituras, OGNs e outros se há emendas erradas e após a licitação delas a responsabilidade sai da Câmara dos Deputados. “A saúde é um ponto fraco na região e em todo o País. É natural que peçam recursos. Eu faço aquilo que os prefeitos e entidades pedem. Vou continuar fazendo isso. Em sete anos de exercício do mandato sou o parlamentar que mais positivamente atuou em projetos sociais e na proposição de emendas para municípios e entidades de toda a região”, conta.

A OPERAÇÃO

     A Operação Sanguessuga foi realizada nos estados do Acre, Amapá, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Quinta-feira, a Polícia Federal prendeu 46 pessoas, entre as quais dois ex-deputados - Ronivon Santiago (PP-AC) e Carlos Rodrigues (PL-RJ) - e dez assessores de parlamentares. As investigações, que tiveram origem no Ministério Público Federal (MPF), começaram em 2001 e de acordo com os cálculos do MP já foram movimentados pelo grupo R$ 110 milhões em superfaturamento da compra de veículos hospitalares e medicamentos.
     Segundo informações do delegado da Polícia Federal que está à frente do caso, Tardelli Boaventura, a quadrilha trabalhava da seguinte maneira: com as prefeituras para fraudar licitações, no Congresso Nacional, elaborando emendas e no Ministério da Saúde, liberando os recursos. A polícia não pode investigar os senadores e deputados, já que eles têm foro privilegiado, o que explica as investigações terem começado pelos assessores.
     Além dos dois ex-parlamentares detidos, foram presos assessores do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e dos deputados pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE), Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Elaine Costa (PTB-RJ), Edna Macedo (PTB-SP), Eduardo Seabra (PTB-AP) e João Mendes de Jesus (PSB-RJ), além de um ex-assessor de Benedito Dias (PP-AP). Outros nomes de assessores de deputados estão sendo investigados. Ao todo a lista da polícia tem 65 assessores a serem investigados.