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Igualzinho a minha mãe

     Você já deve ter-se surpreendido diante do espelho, olhando bem para o seu rosto e dizendo: “Olha como eu me pareço com minha mãe...”. A gente quer ter os olhos da mãe, cada um daqueles traços característicos, especialmente o sorriso gostoso e sincero e o brilho na face que só ela tem.
     A mãe da gente é sempre bonita. Ainda mais quando, depois de todas as rudezas da vida e o passar dos muitos anos, ela já traz aquele ar cansado e sofrido. A minha mãe é bonita, sempre bonita... E eu me pareço com ela. Sim, o mais importante é que eu me pareço com ela.
     Homem ou mulher, todos nós queremos trazer os traços físicos e, principalmente, aqueles traços do coração e da alma da nossa mãe. Pessoalmente, quero ter a sinceridade, a franqueza e a incansabilidade da minha mãe. Creiam-me: ela se entregava de corpo e alma a todos aqueles afazeres próprios de uma dona-de-casa pobre, onde a mãe faz tudo desde logo cedo. E, à noite, ainda trazia um sorriso nos lábios, tinha gestos de carinho e atenção, e todo o tempo do mundo para escutar quem precisava ser ouvido. Isso sem falar das gostosas risadas depois que as coisas se desanuviavam e se concluía a conversa dizendo: graças a Deus, a gente vai vencer esta como venceu todas as outras situações.
     Longe de conformista, minha mãe era dotada de têmpera, mulher de fibra experimentada no sofrimento. E essa fibra e essa têmpera, que fizeram dela uma mulher forte, eu quero ter. Quero ter a coragem e a ousadia da minha mãe. Quero ter aquela garra que ela sempre demonstrou: alguém que enfrenta os problemas, que aposta na solução, que não deixa para amanhã o que se pode e deve fazer hoje, mas que no outro dia volta a assumir, com interminável paciência, aquilo que ainda não se resolveu... E que, talvez, nunca vá se resolver. Mas, a gente não desiste.
     A coragem cresce, a disposição se renova e a gente vai criando um sadio otimismo de quem crê, espera, suporta e, acima de tudo, sofre sem nunca deixar de amar. Eu quero ser como a minha mãe. Tenho a sensação de que ando pela vida afora, escutando uma frase que ela nunca chegou a pronunciar, mas que eu a ouvi dizendo sempre com a vida: “Agüenta firme, meu filho!”.

Pe. Jonas Abib
Fundador da comunidade Canção Nova, de Cachoeira Paulista (SP)


De cartola ou de boné

     Se as pesquisas se confirmarem, caminhamos para ter no segundo turno das eleições presidenciais uma disputa em família, entre sócios do mesmo clube. Em termos de mudança, a proposta dos dois candidatos com possibilidades de vencer é igual a zero. Ambos representam a continuidade do que aí está, para a alegria dos ricos e a inalterada subalternidade dos pobres. Independentemente das diferenças de estilo, um de cartola, caprichando no tucanês, o outro de boné, escorregando nas concordâncias, os resultados da eleição de um ou de outro serão idênticos: favorecimento do setor especulativo, estagnação econômica, altas taxas de desemprego, concentração de renda, redução dos direitos sociais, subserviência diante dos grandes interesses, privatização, a exemplo das áreas de petróleo, assistencialismo, este último destinado a aplacar os dramas de consciência dos que governam e prevenir a revolta dos miseráveis. Assim vem sendo feito invariavelmente nestes onze anos de reinado tucano-petista, em particular nos órgãos que definem a ideologia da administração, como o Ministério da Fazenda e o Banco Central. Não é por coincidência que seus ocupantes têm perfil tão parecido.
     O mesmo vale para as equipes técnicas da área econômica.O do PT, certamente Lula, um pangaré que renunciou a suas origens populares, para aderir à seita do neoliberalismo, sob as bênçãos da Febraban e os milionários financiamentos da banca para suas campanhas eleitorais. Não há diferença fundamental entre um e outro projeto, repetimos, pois ambos se inspiram em princípios comuns, de acordo com as normas gerais do FMI e a serviço do mercado. As diferenças são de detalhes, cada vez menores, que se vão esvaindo com o tempo.

José Maria Rabelo
Jornalista, anoticiacomoelae@uol.com.br