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PROFESSOR AGEU
É sórdido, é terrível
“A moral do homem, em geral, não é a moral do político”

     Aconteceu, há algum tempo, num dos municípios do nosso Médio Paraíba. O vice-prefeito ia concorrer ao cargo de prefeito com o total apoio do prefeito e da maioria dos vereadores. Os candidatos adversários degladiavam-se entre si, mas se uniam na hora de bombardear o candidato oficial. Um exército de perseguidores se formou na perseguição daquele que ”não podia ganhar em hipótese alguma”. As qualidades do candidato da prefeitura teriam que ser abaladas por seus defeitos. Ressaltem-se os defeitos, inventem-se novas falhas. Histórias mentirosas com roupagem de verdade sejam inventadas. O “estafe” de um candidato inimigo se reuniu certa noite para tratar da “estratégia” da campanha. Sobre programas, projetos, objetivo, nada foi falado. Os discursos inflamados e as idéias luminosas eram sempre dentro da tese “como destruir o candidato da prefeitura”. Até que a luminosa idéia surgiu: o fulano de tal entrou pobre na prefeitura e agora tinha acabado de comprar um apartamento na Vieira Souto, em Ipanema. Era o supra-sumo da pouca vergonha e roubalheira. Entrou pobre na prefeitura e já é proprietário em Ipanema. Se como vice-prefeito rouba assim, já imaginaram se for prefeito?
     E os discursos prosseguiram na reunião com tanta veemência que até os autores da mentira já estavam acreditando que era verdade. A noticia se alastrou como rastilho de pólvora seca. Bares, botecos, esquinas, “pés-sujos”, cantinas, restaurantes, clubes, comentavam a novidade terrível. “Fulano é um ladrão”. Outras denúncias apareciam no campeonato de destruição política (quem não acredita em tudo o que se fala contra político?). Ninguém ganhou as eleições, nem o candidato oficial nem a candidatura que forjou a sua destruição. Do tal apartamento chegaram a exibir até as escrituras. Passado o pleito, tudo se acalmou, ninguém mais falou no assunto a não ser para dar boas gargalhadas pelo fato de que muitos eleitores haviam aceitado as deslavadas mentiras.
     Eleitor, olho vivo com o que se publica e se fala em época de eleições. Por que não falam antes? Grupos fortes se levantam contra os que podem ir de encontro aos seus interesses. São sistemas organizados que deturpam verdades, levantam dúvidas, jogam veneno de tal forma que no curto período da campanha eleitoral a vítima não tem tempo de se defender. Há brigas que o eleitor não deve comprar porque os bastidores de uma campanha política, tanto no seu município quanto no seu estado e, também, na esfera federal, são sujos, sórdidos, terríveis.