| FUGINDO
DA JUSTIÇA
Prefeito pode ser punido
Convocação por edital será a última
tentativa para intimar chefe do Executivo
BARRA
MANSA - Nem a Justiça está conseguindo
falar com o chefe do Executivo. Mesmo com
hora marcada, para as 8 horas de ontem,
o prefeito não compareceu ao seu
gabinete para receber do oficial de Justiça
Ataíde Antônio um Mandado
de Intimação e Citação
que determina a restituição
do pagamento do mês de abril aos
profissionais da educação
que aderiram à greve no período
de 16 a 31 de março.
Após várias tentativas frustradas
de contatar o prefeito, a quem deveria
ser entregue o mandado, já que a
prefeitura não tem procurador, na
manhã de ontem o oficial de Justiça
Ataíde, que estava acompanhado do
diretor do Sindicato Estadual dos Profissionais
da Educação (Sepe) Paulo
César de Souza, deu por intimado
o Executivo. “Estou desde quinta-feira
tentando, sem sucesso, falar com o prefeito.
Marquei com ele para hoje, mas seu assessor
Jurídico ligou dizendo que ele não
viria e queria que eu deixasse o Mandado
no Gabinete, mas a lei não permite”,
relata Ataíde, enquanto se dirige
ao cartório para certificar e entregar
o mandado. “É um abuso de
autoridade, um desrespeito às outras
autoridades e a nossa entidade”,
desabafa um dos diretores do Sepe.
Conforme determinação Judicial,
o prefeito tem o prazo de cinco dias para
cumprir a Ordem ou 15 dias para contestar. “O
juiz determina a confecção
de uma folha suplementar determinando o
pagamento correspondente ao período
de 16 a 31 de março, período
em que os professores fizeram greve”,
explica Ataíde.
O advogado do Sepe, Tarcisio Xavier, afirma
que depois da Citação por
hora marcada o prefeito poderá tomar
ciência da decisão judicial
por edital. Nesse caso, terminado o prazo
de cinco dias, o prefeito pode ser punido
por desrespeito à lei. “Para
que o prefeito possa ser citado por edital
o oficial de Justiça tem que apresentar
todos os meios para que a diligência
seja cumprida. Esgotadas todas as possibilidades,
haverá convocação
por edital. Caso não haja uma posição,
o prefeito pode ser preso”, enfatiza
o advogado. Insatisfeitos por estar há mais
de dez anos sem reajuste, totalizando um
perda de 65% , em março os profissionais
da educação entraram em greve,
o que fez com que o Executivo municipal
descontasse de suas folhas, não
somente os dias paralisados. “Ele
descontou também aqueles dias alternados,
que trabalhamos no início do ano.
No mês recente, houve pessoas que
tiveram seus contracheques zerados, não
tendo dinheiro nem para comprar alimentos”,
conta Paulo César, acrescentando
que o reajuste de 10% anunciado pelo prefeito
não significa nada diante das perdas
salariais e, principalmente, do aumento
da contribuição do Fundo
de Assistência Médica dos
Funcionários Públicos (Fundamp)
para 9,10%, sem contar os descontos referentes à Previdência,
11%, resultando em 20% a menos no salário
da categoria.
ASSEMBLÉIA
Amanhã, a partir das 17h30min,
os profissionais da educação
realizam uma assembléia no salão
da Igreja Matriz, onde vão discutir
sobre a liminar concedida em favor da categoria
e demais assuntos de interesse da categoria.
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