Distribuição
de renda
O maior desejo do trabalhador é ter
uma renda que assegure condições
dignas de vida para si e para a família.
Um salário que garanta alimentação,
moradia, transporte, saúde, lazer
e, sobretudo, o estudo dos filhos. No passado,
acreditava-se que o melhor caminho para
alcançar o bem estar social seriam
as revoluções socialistas,
a conquista do poder pelos trabalhadores.
Hoje prevalece para a maioria da população
o sentimento – bem verdadeiro – de
que a distribuição de renda
se dá por uma via totalmente oposta à da
força: a educação.
Por isso a maioria dos pais e mães
trabalhadoras não mede sacrifício
para que os filhos freqüentem a escola,
porque sabem que só assim terão
um futuro melhor.
A nova visão, que já é compartilhada
por boa parte daqueles que atuam no movimento
sindical, é a de que devemos investir
mais e mais em qualificação,
em capacitação profissional.
Estudos acadêmicos já comprovaram
que o salário de um trabalhador é proporcional
ao grau de instrução, ao
número de anos que permanece sentado
no banco da escola. Logo, ganha mais quem
estuda mais, quem mais se qualifica.
À
nossa volta não faltam exemplos
de amigos e familiares que melhoraram de
vida graças à educação.
Pessoas que não pararam de estudar,
que se esforçaram e fizeram curso
técnico, curso superior, pós-graduação
e passaram a exercer atividades melhor
remuneradas.
E estudar é algo que depende, em
muito, de nós mesmos, do nosso esforço
individual. De ter que, às vezes,
virar a noite em cima de um livro e ainda
estar pronto para trabalhar no outro dia.
Reivindicar melhores salários e
benefícios sempre foi a tônica
do movimento sindical brasileiro. Agora,
até mesmo por uma questão
de empregabilidade, creio que é o
momento de a sociedade como um todo se
mobilizar também por qualificação
profissional.
Por muito tempo atuei no movimento sindical
e conheço bem a luta dos trabalhadores
e os seus sonhos. Posso garantir que nada é mais
importante para o chefe de família
que ver os filhos na escola. Hoje estou à frente
de um sistema que contribui para a formação
profissional dos jovens trabalhadores,
dando a eles oportunidade de inserção
no mercado e trabalho. É o chamado
Sistema S, formado por nove entidades,
entre elas o Senai, Senac, Sesc e Sesi.
Este sistema existe há 64 anos e
apenas uma de suas entidades, o Senai,
maior instituição de formação
profissional da América Latina,
totalizou ao longo deste período
37 milhões de matrículas.
Somos a maior ONG do planeta, devendo movimentar
neste ano R$ 13 bilhões. São
números gigantescos que refletem
a importância e a grande capilaridade
do Sistema S na sociedade. Mas podemos
avançar mais, não só aumentando
o número de vagas em nossas escolas
de ensino fundamental e profissional, mas
também na qualidade dos serviços.
Jair Meneguelli
Coordenador do Fórum Nacional do
Sistema S e presidente do Conselho Nacional
do Sesi
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