Voltar   Cloves Alves
“QUANTAS pessoas terão que morrer para entenderem a importância da passarela?”

Moradores protestam por mais uma morte e pedem passarela na Dutra

     RESENDE - Moradores do bairro Jardim Esperança fizeram na madrugada de ontem uma manifestação em protesto contra um atropelamento em frente ao bairro na noite de domingo. Por volta das 18 horas, uma pessoa não identificada foi atropelada na Rodovia Presidente Dutra, na pista sentido Rio-São Paulo, porém, até agora o cadáver não foi identificado, estando completamente desfigurado. Segundo a Polícia Civil, não foi possível sequer determinar o sexo da vítima. Testemunhas que passaram pelo local ficaram chocadas. “Não dava pra distinguir se era um boi, um cachorro ou uma pessoa. Era uma massa de carne disforme”, lembra um morador da região, que não quis se identificar.
     Cerca de 350 pessoas, entre moradores do bairro e vizinhança, participaram da manifestação por volta das 5h30min, ateando fogo em pneus e madeiras na rodovia, impedindo o tráfego no sentido SP-RJ. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Bairro Jardim Esperança, Francisco Derlândio Rocha, foram duas as razões que motivaram a mobilização. “O atropelamento dessa pessoa, que ainda não sabemos quem é, foi a prova de que esse trecho é extremamente perigoso e que nossas famílias colocam suas vidas em risco ao atravessar a Dutra. Além disso, o prazo que nos deram para a confirmação ou não do projeto que prevê a construção da passarela expirou. Tivemos uma reunião com representantes da NovaDutra, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e com a prefeitura, quando nos prometeram que dentro de 15 dias seria apresentado o projeto, o que não aconteceu”, indigna-se, e explica a razão de a manifestação ter sido feita no início da manhã. “Queríamos atingir o público das fábricas, que vão pro serviço bem cedo. As pessoas que trabalham no pólo industrial precisam tomar conhecimento do nosso problema também”, justifica.

POLÍCIA RODOVIÁRIA INTERVÉM

     A manifestação terminou com a chegada da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O chefe do Núcleo de Fiscalização e Policiamento da 9º Delegacia da PRF, Carlos André Nogueira, diz compreender o anseio da população. “Realmente muitas pessoas já morreram nesse trecho e a construção da passarela é de extrema necessidade para garantir a integridade física dos moradores desse bairro. Conhecemos esse problema de perto e fizemos tudo o que podíamos para dar andamento ao processo, mas agora é algo que não faz mais parte de nossa alçada, a discussão está em outro patamar”, finaliza.