Voltar   Arquivo Cris Oliveira

Carlos Nader é citado em lista de 81 deputados e alega inocência

     BARRA MANSA/BRASÍLIA - Depois de ter seu nome citado na lista dos 81 deputados que Maria de Penha Lino, ex-secretária da Planam e ex-assessora do Ministério da Saúde, forneceu à Polícia Federal, o deputado federal Carlos Nader (PL) reafirmou, ontem, sua inocência, após ter dado declarações à imprensa. De acordo com ele, Maria de Penha estaria tentando envolver pessoas inocentes na Máfia das Ambulâncias. Ele destaca que já foi investigado pela Polícia Federal e o Ministério Público dentro da Operação Sanguessuga e nada foi encontrado.
     “ Eles estão investigando o caso há um ano e nunca meu gabinete fez contato com essas pessoas, a não ser com prefeituras e entidades. Faço contatos diretamente com ministros para liberação de emendas. Não peço para assessores”, conta. Ele afirma que Maria de Penha estaria utilizando a medida de delação premiada para reduzir a pena. “Ela vai ter que provar. A listinha que ela apresentou ela mesma pode fabricar. Ela pode colocar e incluir emendas dos deputados. Estou com a minha consciência tranqüila”, afirma.
     Segundo Carlos Nader, seu sigilo fiscal, bancário e telefônico está aberto desde o Mensalão. “Me proponho também assinar o pedido de criação de uma CPI que investigue o caso, mas acredito que não haverá tempo hábil para isso, devido ao período eleitoral”, afirma.
     As prefeituras e entidades não receberão culpa desta vez. Para o deputado, é necessário que mude o critério de licitação, adotando um programa de pregão eletrônico e ainda seja alterado o orçamento, que hoje é autorizativo, para impositivo. Ele afirma que existe um projeto do deputado Antônio Carlos Magalhães para realizar a mudança.
     “ Hoje, o governo libera a emenda se deseja. É necessário que seja impositivo, o que independerá de base aliada ou oposição. Não precisaria os deputados ficarem mendigando pela liberação”, destaca. Com relação às emendas na área da saúde, Nader afirma que continuará fazendo, já que é uma obrigação dos deputados destinar 30% do valor total das emendas para essa área. “Se uma prefeitura ou entidade necessita de ambulância, UTI, somos obrigados a colocar aquilo que elas precisam. Não vou parar de apresentar essas emendas. É minha obrigação de parlamentar e estou dormindo tranqüilo, pois não tenho nenhum envolvimento nesse caso. As licitações das minhas emendas foram feitas com ética, sem valor superfaturado. Quem tem que prestar contas é quem está errado. Essas 16 parlamentares é que estão sendo investigadas. Não fui citado em nada, o que aconteceu foi uma irresponsável dessa que quer envolver toda a câmara”, garante.

AS INVESTIGAÇÕES

     A Câmara dos Deputados, através de uma comissão de sindicância, ouvirá hoje o delegado da Polícia Federal Tardelli Boaventura, responsável pelo inquérito que apura a compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União. O esquema resultou em prisões de 50 pessoas, entre ex-deputados, assessores de parlamentares em exercício e servidores do Ministério da Saúde. Além de responsáveis da Polícia Federal e do Ministério Público, serão ouvidos membros da Planam - empresa acusada de montar o esquema da Máfia das Ambulâncias - e a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, que está presa em Mato Grosso e entregou à PF lista com nomes de deputados supostamente envolvidos.
     Será apurado também o vazamento da lista com os 81 nomes de deputados supostamente envolvidos na fraude. A comissão pretende ouvir esta semana Darci José Vedoin, sócio da Planam; Luiz Antônio e Alessandra Trevisan Vendoi, filhos de Darci Vendoin; Cléia Trevisan, esposa do empresário; Gustavo Trevisan Gomes e Ronildo Pereira Medeiros, empresários ligados à Planam; Alessandro Silva de Assis, representante comercial da empresa; e Felipe Fernandes de Freitas, motorista da Planam, identificado como a pessoa que trazia os empresários ao Congresso.
     Os 16 deputados com “fortes indícios de envolvimento” na Máfia das Ambulâncias serão ouvidos na próxima semana. O deputado Paulo Baltazar (PSB) está entre eles.