Democracia;
ainda que tardia
São nas grandes democracias consolidadas
que conhecemos e compartilhamos, em todos
os níveis, o verdadeiro exercício
da independência e autonomia entre
os poderes. Podemos afirmar que uma democracia é sustentada
pela atuação harmoniosa e
independente entre os seus poderes, entre
as suas instituições.
Se estamos longe de vivermos e compartilharmos
tais benesses de uma verdadeira democracia
nestas terras de Cabral, avistamos, ao
longe, a postura austera e independente
de algumas das nossas instituições,
rompendo, de uma certa forma, com um ciclo
vicioso e servil seguido ao longo dos anos,
sempre atrelado ao poder vigente.
Do alto das faculdades do Tribunal Superior
Eleitoral, seu novo presidente, Marco Aurélio
Mello, com muita transparência e
independência, criticou a forma e
a conduta adotadas pelo governo Lula no
trato com as instituições
federais e com o patrimônio público.
Seguindo na mesma trilha inconfidente e
democrática, o presidente da Ordem
dos Advogados do Brasil, Roberto Busato,
apontou exageros, erros e equívocos
do novo governo, enquadrando, ainda, com
notícia-crime, o mandatário
da Pátria por falta de transparência
e austeridade na execução
do mandato de presidente da República.
É
claro que o enquadramento de um presidente
da República fragiliza, e muito,
a consolidação de uma verdadeira
democracia; a idéia e o conceito
que temos dela. Mas se é nas grandes
noites que se avista o sol generoso da
independência, esperamos aprender
com os erros e angustias do presente. E
que nossas instituições,
com sua força, seus protestos, e
sua representatividade, sempre atentas
e serenas, façam com que os mandatários
da Pátria pensem duas vezes mais
antes de ignorar os acordos firmados com
a sociedade, com o cidadão, com
os eleitores.
De tudo isso, de todo este processo em
que somos levados por uma onda de denuncismo
e corrupção, como se pouco
representasse o povo com seus medos e anseios,
tiramos o exemplo, aprendemos a lição
de que sem consciência cívica
não faremos revolução,
não construiremos uma grande Nação.
Sem a representatividade e a atuação
independente das nossas instituições,
não comungaremos com o verdadeiro
ideal da democracia.
Aos poucos, o país vai começando
a conviver com seus desafios. Vai assumindo
a responsabilidade de ser uma pátria
que acredita e busca a plenitude da democracia,
tendo a maturidade política e social
de que sua história e feita e escrita
no seu dia-a-dia.
Petrônio Souza Gonçalves
Jornalista e escritor
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