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MÁFIA DAS AMBULÂNCIAS
Baltazar será ouvido
Número de parlamentares envolvidos pode aumentar

     BRASÍLIA - Os 16 deputados com “fortes indícios” de envolvimento na Máfia das Ambulâncias, esquema montado para a compra superfaturada de unidades de saúde, prestarão esclarecimentos na Câmara Federal entre os dias 23 e 25. Dentre os que serão ouvidos está o deputado Paulo Baltazar (PSB). Porém, o número dos que prestarão depoimento pode aumentar. Isso porque a Controladoria-Geral da União (CGU) elaborou um relatório que destaca a investigação mais aprofundada sobre como funcionava o esquema de compra superfaturada de ambulâncias e menciona mais profundamente, inclusive, a participação de deputados antes “absolvidos” pela câmara.
     O coordenador do comitê permanente de acompanhamento e fiscalização orçamentária da Comissão de Orçamento, deputado federal Paulo Rubem Santiago (PT- PE), em entrevista a A VOZ DA CIDADE afirmou que esse relatório será entregue à Corregedoria da Câmara Federal hoje. O deputado afirmou que novos nomes de parlamentares envolvidos não foram incluídos no documento. “O que existe são indícios mais sólidos e provas mais contundentes de participação de deputados que já haviam sido citados e ficaram livres da lista dos 16. Vamos tornar público esse documento após reunião com a comissão de sindicância que apura as denúncias contra os deputados”, conta, acrescentando que o comitê entende que os nomes descartados inicialmente deveriam também ser ouvidos.
     Ontem, o deputado ainda se reuniu com o ministro da Saúde, Agenor Álvares, para discutir as medidas que o ministério está adotando para punir os responsáveis pelas irregularidades e coibir novas fraudes nas licitações. “Vamos analisar as providências que o ministro pretende tomar. O que sabemos é que o esquema tinha uma estrutura muito grande que ainda precisa ser investigada, há um volume muito maior de recursos liberados. Até agora só as emendas dos deputados foram investigadas e existem outros aspectos que precisam de fiscalização”, afirma Paulo Rubem Santiago.
     De acordo o deputado, as investigações abrangem o período de 2000 a 2002, mas os cofres públicos foram lesados em mais de R$ 110 milhões entre 2001 e 2005. Segundo relatório do CGU, nesse período foram vendidas mais de mil ambulâncias, ao preço médio de R$ 110 mil. Aponta ainda cinco empresas que aparecem freqüentemente envolvidas em episódios de irregularidades: Santa Maria Comércio e Representação Ltda, Comercial Rodrigues, Planam, Klass Comércio e Representação, Enir Rodrigues de Jesus Comércio e Indústria e Nacional Comércio de Materiais Hospitalares.
     A análise do deputado Paulo Rubem é que as investigações apontam uma concentração de irregularidades dessas empresas. “Atuavam em diversos estados e, às vezes, até sem autorização de secretarias para funcionar. Em muitos casos, empresas não funcionavam nos endereços indicados. Mesmo assim, conseguiam passar nas licitações, fornecendo materiais para os municípios”, destaca. As investigações da Polícia Federal conseguiram identificar casos de fortes indícios de superfaturamento, como de ambulâncias compradas por R$ 40 mil e revendidas por até R$ 82 mil para prefeituras.

QUEM SERÁ OUVIDO

     Ontem, o responsável pelas investigações da Operação Sanguessuga, delegado da Polícia Federal Tardelli Boaventura, entregou à Corregedoria da câmara documentos sobre as investigações do que foi apreendido na sede da Planam. Hoje, será a vez dos funcionários da Planam e a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Medeiros. Os depoimentos começam às 10 horas.

Cidades da região irregulares nas compras

     Itatiaia e Barra do Piraí aparecem no levantamento da Corregedoria-Geral da União com irregularidades na compra de ambulâncias. Direcionamento de licitação, falhas nos processos e nas aquisições e entregas de ambulâncias, além de superfaturamento foram alguns dos erros encontrados em 60 municípios de diversas cidades do país. De acordo com informações da CGU, outras cidades podem estar envolvidas e esse levantamento de irregularidades pode não estar associado à Operação Sanguessuga.
     As Assessorias de Comunicação das duas cidades foram procuradas por A VOZ DA CIDADE. A de Itatiaia informou que quem pode dar a informação com precisão sobre qual pode ser a irregularidade apontada e se existem ambulâncias provenientes de emendas de deputado, no caso Baltazar, é o procurador do município, que estará na prefeitura hoje. Já a de Barra do Piraí comunicou que o prefeito José Luiz Anchite não mais se pronunciará sobre o assunto e deixará a Justiça resolver.
     Considerando que as investigações são de emendas do Orçamento de 2000 a 2002, os prefeitos da época em Itatiaia e Barra do Piraí eram Almir Dumay e Carlos Baltazar, respectivamente. O último, irmão do deputado Baltazar, que inclusive destinou verba para compra de ambulância no Orçamento de 2001 e 2002 para a Prefeitura de Itatiaia e para Barra do Piraí em 2001, com duas unidades, em 2004, três destinações de emendas e no Orçamento de 2005 uma ambulância para o Hospital Mãe Pobre, também do município.