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Célia
Grangeiro: professora, produtora
e escritora de peças teatrais
Tatiana Amaral: diretora técnica
do Museu da Imagem e do Som |
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Sessão
Nostalgia:
festivais dos anos 60 e Jovem
Guarda são lembrados em palestra
RESENDE
- A história dos festivais
dos anos 60 e da Jovem Guarda será contada
hoje as 14 horas no auditório
da Câmara
Municipal pela professora, produtora
e escritora
de peças teatrais Célia Grangeiro.
Parte de um projeto do Museu da Imagem
e do Som idealizado pela diretora técnica
do espaço, Tatiana Amaral, o ciclo
de palestras visa trabalhar a história
da música com a população
em geral. “Escolhemos a câmara
pela gama de recursos audiovisuais a que
temos acesso lá. Além disso, é importante
falar sobre a história da música
brasileira, que é riquíssima.
Chamamos a Célia para ministrar
essa palestra porque ela viveu a época
dos festivais e da Jovem Guarda e pode
falar com tranqüilidade sobre o tema”,
afirma Tatiana. A palestrante confirma. “Trabalho
com isso há muito tempo e tenho
muito material de pesquisa, de forma que
garantimos um momento de grande nostalgia
e apreço, em função
das músicas, imagens e documentários”,
explica. Em parceria com seu marido, Ismael
Grangeiro, Célia deu uma prévia
do que a noite reservaria. “Falaremos
sobre grandes nomes da música, como
Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto
Gil, Milton Nascimento, Djavan, Elis Regina,
Os Mutantes, entre tantos outros que, pouca
gente sabe, apareceram justamente nessa época
dos festivais da canção dos
anos 60”, diz. A força maior
da época é dada pela censura
da ditadura militar. “Hoje admiramos
esses intérpretes e compositores,
mas a dificuldade que os idos dos anos
60 e 70 proporcionavam era muito grande,
devido à censura. O Chico (Buarque) é exemplo
de um cantor que dificilmente era pego
pela censura em função da
capacidade que tinha de escrever em metáforas
ou mascarar o que realmente tinha a dizer,
justamente para passar despercebido”,
destaca, e acredita no papel que a música
exerceu na vontade de manifestação
de idéias de quem viveu naquela época. “A
música foi tão difundida
nos anos 60 porque foi um meio encontrado
para passar por cima da censura e finalmente
colocar para fora o que se tinha vontade,
ainda que fosse necessário tomar
cuidado com o que se cantava. Por isso
o povo se agregou tanto em torno dos festivais
de canção”, esclarece.
A música Caminhando (pra não
dizer que não falei das flores) é tida
como um símbolo da época. “Essa
música ficou em segundo lugar porque
os militares não queriam que fosse
a vencedora ao entenderem a mensagem que
transmitia em sua letra. A censura era
uma coisa absurda, mais ainda assim os
mais espertos conseguiam captar o que era
dito e a idéia era, finalmente,
transmitida”, lembra, e define o
que é tido hoje como música
popular brasileira (MPB). “Há alguns
anos tínhamos ritmos bem definidos.
O samba, a bossa-nova, o chorinho, entre
outros, eram facilmente percebidos. Por
a música brasileira ser essencialmente
influenciada pelas culturas européia,
indígena e negra, começou
a ser uma miscelânea de tudo isso
e hoje já é impossível
definir a que ritmo pertence determinada
obra. Foi assim que surgiu a MPB. Um estilo
próprio, uma mãe que acolhe
vários tipos de composições”,
finaliza.
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