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A polícia venceu?

     A polícia de São Paulo venceu a ação coordenada por uma quadrilha de criminosos de alta periculosidade, apesar da Imprensa alarmista, da Legislação, do Governo Federal e do otimismo da própria Polícia.
     Em São José dos Campos, alguns jornalistas de rádio, talvez a maioria, passaram o dia extrapolando a situação como se estivéssemos no meio de uma guerra. A internet também foi crucial para disseminar o medo e os boatos. A imprensa passou uma idéia de luta organizada e coordenada dos criminosos.
     Porém, bastava observar que a única coisa que estava ocorrendo era uma horda atacando o que se visse pela frente. E só! O problema é que o estado é grande e a PM não pode estar em toda parte. Assim, vários bandidos imprimiram um estado de terror no maior Estado brasileiro.
     Isso serve para que, enquanto cidadãos, exijamos de nossos representantes no Congresso uma Legislação mais eficaz no combate e repressão da violência e do crime organizado com a restrição dos privilégios dos bandidos que já estão presos. Inclusive com punição em prisões restritas e individuais para bandidos de alta periculosidade.
     Também não custa lembrar que os juízes são acusados de agir com benevolência para com os bandidos perigosos. E falar dos problemas da Justiça já está ficando chato. Lemos nos jornais, juízes vendendo sentenças, roubando e matando, mas o que mais irrita é a intransigência inerente a muitos juízes.
     O dia não seria menos trágico se o presidente Lula não aparecesse no cenário e oferecesse um reforço de quatro mil homens da força de segurança nacional, menos treinados que os de São Paulo e desconhecendo o território. Sem falar que São Paulo tem 130 mil policiais. O que o Estado precisa é de apoio tecnológico e recursos. E o que Lula já fez?
     O governo federal reduziu o Fundo Nacional de Segurança Pública, dinheiro repassado aos Estados, em 28% em 2005, comparado a 2004. O fundo foi criado em fevereiro de 2001 para apoiar projetos dos governos dos Estados. Em 2003, o objetivo principal do fundo foi alterado por meio de lei apoiada pelo governo Lula, retirando os Estados diretamente na execução. Assim, menos convênios foram firmados.
     Em 2004, o governo federal deu R$ 380,8 milhões para o Fundo. Em 2005, foram somente R$ 275,8 milhões. E disso, só foi para os Estados apenas R$ 124,9 milhões. E para o Estado de São Paulo foi somente R$ 56,3 milhões. Isso coloca Lula bem atrás de Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, foram R$ 396 milhões para o fundo, em valores atualizados em março deste ano pela ONG Contas Abertas.
     A redução do governo Lula atingiu também a Polícia Rodoviária Federal que sofreu um corte de R$ 7,7 milhões em 2005, e o Fundo Penitenciário Nacional também teve redução de R$ 55,2 milhões nesse período.
     O próprio governo estadual não pode ser esquecido. Na última quinta-feira, 765 detentos que pertenciam ao PCC foram transferidos para a penitenciária de Presidente Venceslau (620 km de SP) e essa transferência não foi comunicada para toda Polícia. Deveriam esperar represálias. Não esquecer que os presos recebem celulares dentro das prisões.
     Apesar de São Paulo ter o maior efetivo policial e a maior quantidade de presos do Brasil, ainda é preciso construir mais presídios e melhorar os salários e as técnicas. O combate ao crime ainda deixa muito a desejar. Está aí a prova.
     Acredito que a força inglesa Black Watch, especializada no combate de guerrilha urbana na Irlanda do Norte, também tenha muito a ensinar. Durante a invasão do Iraque, em Basra, 1,5 milhão de habitantes, os combatentes pró-Saddam vinham impondo feroz resistência, porém as tropas invasoras enfrentaram apenas esporádicos e isolados bolsões de resistência. Por que?
     Os equipamentos dos soldados incluíam fuzil de pequeno calibre mas de longa distância, visão noturna, colete e capacete à prova de balas, uniforme com camuflagem apropriada. Os blindados tomaram uma posição. A surpresa foi o elemento primordial. Os pontos estratégicos são destruídos. Alto-falantes fazem a guerra psicológica. Então, soldados bem treinados, com uma tática bem definida, iniciaram o ataque. Poucas baixas entre os militares e civis e muitas entre os inimigos. Um modelo para o estado paulista.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Inpe,
professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva
mariosaturno@uol.com.br