Voltar   Arquivo Valdinei Ferreira

SINDICATO X CSN
Impasse nas negociações
Empresa não aceita desvincular revezamento do turno do acordo e sindicato ameaça entrar em greve

     VOLTA REDONDA - Continua o impasse entre o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense e a direção da CSN em torno do acordo salarial deste ano. Foram mais de quatro horas de discussões e a empresa não avançou em alguns itens reivindicados pela categoria, em reunião realizada na noite de ontem. A CSN fez duas propostas, mas o sindicato as recusou em mesa, pois houve desentendimento quanto ao acordo do revezamento de turno. O sindicato pediu a desvinculação do turno das discussões da campanha salarial, mas a empresa não aceitou.
     A primeira proposta da CSN foi de 100% do INPC, calculado a 3,34%, complemento de R$ 1,7 mil referente à PLR 2005 (Participação nos Lucros ou Resultados), adiantamento de R$ 1 mil da PLR 2006, mais uma gratificação no valor de R$ 3 mil, pela renovação do revezamento de turno de oito horas.
     Na segunda proposta a CSN ofereceu 100% do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais 1% de aumento real e um complemento da PLR 2005 de R$ 1,5 mil. A empresa propôs também o mesmo valor da primeira proposta referente ao turno.
     Pelas novas propostas apresentadas pela companhia, os valores para os funcionários passam, no mínimo, de R$ 1 mil e, no máximo, R$ 5,7 mil.
     Já o sindicato alegou que as propostas eram fracas e que os valores poderiam aumentar. A empresa, por sua vez, elevou a gratificação para R$ 4 mil, a ser paga em duas parcelas.
     Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Carlos Perrut, além da desvinculação do acordo salarial do turno, que vence em junho, a comissão de negociação do sindicato propôs que a CSN ofereça R$ 1 mil de adiantamento da PLR 2006. “A reunião foi de bom nível, mas houve impasse porque a empresa não concordou em retirar o turno das negociações. Diante disso, vamos dar um prazo de 48 horas, como manda a lei, para a CSN se manifestar, incluir o adiantamento da PLR 2006 na proposta e retirar o turno do acordo salarial, senão não vamos nem levar para a apreciação da categoria em assembléia. Vamos partir direto para uma greve geral”, enfatizou Perrut.
     Em relação ao item da pauta de reivindicações que trata da equalização das dívidas dos trabalhadores por meio da CBS, a empresa manteve a proposta de concessão de empréstimos, sob juros menores. O valor seria descontado em folha.
     Sobre a “desterceirização”, a posição da CSN também foi favorável. A informação é de que a empresa pretende absorver a mão-de-obra dos funcionários terceirizados, que somam cerca de oito mil.
     Na primeira negociação, a CSN ofereceu INPC sem ganho real, R$ 1 mil de adiantamento da PLR 2006, complementação da PLR 2005 de R$ 1.500 para os empregados que ganham até R$ 2 mil e R$ 2 mil para os que recebem acima de R$ 2 mil, entre outros itens da pauta. A data-base da categoria venceu dia 1º de maio.