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Teatro & Cultura
Symão Francisco

Respirando Cultura

     Há cerca de três semanas estamos passando por uma enxurrada de cultura na nossa região. E as coisas não vão parar aí (graças aos deuses) e, tomara, dêem prosseguimento pelo menos até sempre. Vamos começar pelo encontro de produção cultural promovido pelo Sesc Barra Mansa (excelente idéia que a instituição vem realizando desde 2004) entre os dias 27 e 29 de abril.
     Tivemos a presença de pessoas que de alguma forma estão envolvidas com o mercado cultural, visto que este já ocupa por algum tempo um papel importantíssimo na nossa civilização. O objetivo é “possibilitar a reflexão sobre a necessidade da profissionalização e organização como ferrramentas indispensáveis em um cenário competitivo e exigente”.
     Grande sacada para os artistas da nossa região, mas que infelizmente não compareceram em grande número* para prestigiar o evento e que serviu como ponto de ligação entre os grandes centros e o interior, mostrando também que não estamos assim tão aquém dessas cidades.
     Faltando apenas um tipo de organização e (ai meu Deus! Eu vou repetir isso mesmo? Uma palavra que tenho ouvido por aqui constantemente e não vem significando, infelizmente e pelo que vejo, nada!) União (repeti) entre nós artistas.
     Tivemos a presença de Alexandre Paiva (Mendes-RJ), falando de música, Fred Pinheiro (Nós do Morro-RJ), diretor de teatro que lançou alguns atores de Cidade de Deus, Débora, produtora, Wolney Porto (Conservatória-RJ), diretor de teatro e, também gostaria de falar, realizador de sonhos, já que quase sem verba alguma domina a cultura na Cidade das Serestas e vem fazendo alguns museus e um teatro na região, sem dúvida um enorme destaque e exemplo a todos, sem contar o inesquecível, divertido e emocionante bate-papo dele com a platéia, que ninguém deveria ter perdido e ficará para a posteridade. Quem viu, viu!
     Após cada dia de palestras tínhamos apresentações artísticas como um chorinho, dança com a Companhia de Fifi e teatro com o grupo dirigido pelo excepcional Renato Carrera, um dos nomes da nova safra de diretores no cenário artístico do Rio de Janeiro, que já havia estado na cidade em outras ocasiões e sempre nos brinda com suas peças.
     Tivemos também, nos dias 12 e 13 deste mês, mais uma grata mostra dessa nova safra de diretores e produtores com a Tamaqui Soluções Artísticas. A peça teatral o Grande e o Gordo trouxe aos palcos o (não gosto muito de rótulos, mas...) teatro contemporâneo bem executado e sob a direção de Cinthia Mendonça (guardem esse nome), com texto do autor conhecido como O Judeu. Dois atores, Gabriel Sant’Ana e Thiago Pimentel, satirizam a obra clássica de Servantes: Dom Quixote.
     No dia 13, o genial Wolfgang Amadeus Mozart foi homenageado pela pianista Ritta Mendonça no concerto Em Mozart. Tudo muito bem feito e de acordo com o gosto do freguês, mas com certeza se não houver uma mudança de comportamento dos artistas da região, uma deixada de lado das vaidades e orgulhos infantis - o achar que sabe tudo apenas comprova que não sabe nada - a melhor saída para os que querem somar e multiplicar vai ser a Via Dutra em direção aos grandes centros.
     Temos que, de uma vez por todas, deixar de sermos provincianos e crescer. Crescer! Cada um tem seu espaço e seu modo de fazer as coisas. Todos têm que entender que é a variedade e as opções que fazem a diferença.

      Vem aí mais um Festival Nosso Teatro, do grupo Proscenium, dirigido por Giglio e promovido pelo Sesc Barra Mansa. Com a realização de uma oficina de Bertold Brecht e três peças. A expectativa é que os colegas de profissão prestigiem.

      Assumiu ontem como delegado do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated) Lúcio Roriz. Nós, artistas, temos a obrigação de apoiar quando o momento for esse e cobrar quando preciso. Vale lembrar que o sindicato não tem nenhuma obrigação de captar recursos financeiros. Quem ainda não sabe sua função pode começar a freqüentar reuniões que o sindicato regional vem realizando.

      O Festival de Teatro de Resende vem aí. O grupo obsCênico vai representar briosamente a cidade de Barra Mansa. Para todos deveria significar um passo largo. A arte é maior que a vaidade. A arte é gigante, um Golias do bem. E nada insignificante é capaz de derrubá-la.
     Colegas artistas, vamos acordar!

* Muita gente aqui na região Sul Fluminense começa a fazer teatro, música, artes plásticas, etc... hoje e em menos de três meses se auto-intitula ator, atriz, professor, diretor, crítico. E quando acontece um evento importantíssimo desse porte simplesmente não comparecem e se comparecem não tomam parte. Como diz a letra de Marcelo D2 “Qualé, neguinho, qualé?”. Está passando da hora de acordar!!!