| PROGRAMA
MORAR LEGAL
‘Cabide de empregos’
Campanelli acusa prefeito de criar lei para
favorecer cargos comissionados
BARRA
MANSA - Aprovada no início
deste mês pela Câmara Municipal,
a Lei Complementar nº 44, que institui
o Programa de Modernização
da Gestão Imobiliária Urbana
- Morar Legal parece não beneficiar
a população de baixa renda.
Ao contrário, os únicos a
ganhar com o programa social serão
os cargos comissionados.
No total, foram contratados 17 funcionários
de confiança do prefeito para compor
a Copeg (Comissão Permanente de
gerenciamento do Programa Morar Legal).
Para tratar do assunto, o presidente do
Sindicato do Funcionalismo Público,
José Francisco Campanelli, se reúne
hoje, às 9 horas, na Câmara
Municipal, com a presidência da Casa
e a comissão de fiscalização
da prefeitura.
Campanelli vai interceder pela maioria
dos fiscais das secretarias municipais,
que, em assembléia há 15
dias, não aceitou as medidas que
serão implementadas pela administração
do programa. O sindicalista diz que as
atribuições dos fiscais da
prefeitura serão alteradas e, por
isso, pretende acompanhar de perto todos
os passos da comissão, inclusive
acionar a Justiça, alegando desvio
de função, caso o funcionalismo
seja prejudicado.
“
Muitos fiscais da prefeitura serão
desviados de função para
trabalhar nesse programa e isso é ilegal.
Na verdade, esse projeto foi feito para
arrecadar tributo. O prefeito está enganando
a população com a desculpa
de que é para facilitar a regularização
dos imóveis, mas na realidade visa
contratar cargos comissionados”,
dispara Campanelli, lembrando que no artigo
44 da lei o prefeito cita as funções
dos contratados sob o regime de gratificação,
porém, omite o número de
funcionários.
Segundo ele, o sindicato tentou em vão intervir junto aos vereadores
e ao presidente da câmara para evitar a aprovação do projeto.
Campanelli argumenta que foi acordado com os vereadores que em se tratando
de matérias que envolvessem o funcionalismo, a entidade seria comunicada
previamente e teria oportunidade de se manifestar sobre o assunto, porém,
não foi o que ocorreu. O presidente do sindicato afirma que lhe entregaram
o projeto de lei do Executivo seis horas antes de sua aprovação
e não houve pedido de vista do projeto.
“
Nada foi discutido com a fiscalização. Isso gerou uma revolta
muito grande nos funcionários. Esse prefeito faz o que quer. Depois
de aumentar a contribuição do Fundamp e dar uma farsa de aumento,
agora ele cria esses cargos com gratificação para que os comissionados
tenham mais uma vantagem”, denuncia. “E a gente percebe que a pessoa
envolvida com a criação desse programa criou cargo para ela mesma.
Esse programa foi criado para que o prefeito transforme a comissão em
cabide de empregos”, prosseguiu.
Na lei que institui o programa Morar Feliz, o prefeito cria cargos gratificados,
correspondentes a um CC-1, quatro CC-2 e 12 CC-3. De acordo com o artigo da
lei “com a finalidade de incentivar a celeridade e a agilidade do processo
administrativo, bem como a desburocratização de procedimentos
internos em benefício do contribuinte, será concedida à Copeg
uma gratificação equivalente a presidente; e demais integrantes
como gerentes e subcomissões”.
Nesse sentido, o presidente do sindicato adverte: “Depois de oito anos
na função, os salários dos cargos comissionados são
incorporados. Como nesse caso não há mais como aumentar o salário,
foi criada essa gratificação para elevar ainda mais o salário
dos cargos de confiança do prefeito”, finaliza.
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