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DEBATE
Exploração infantil em pauta
Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual é lembrado

     VOLTA REDONDA - A Lei Federal 9.970 instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes como referência à data do crime contra a menina Araceli, em 1973, que foi assassinada após ter sido seqüestrada e estuprada em Vitória, no Espírito Santo. Desde então várias cidades brasileiras celebram a data com atividades diversas. No município, além de panfletagem nas principais ruas da cidade, que ocorrerá hoje, a data foi lembrada com a realização do Fórum de Debate sobre o tema. O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Ação Comunitária (Smac), durante o período da manhã, no auditório do Palácio 17 de Julho.
     Entre outras autoridades participaram do fórum a coordenadora do Centro de Atendimento Contra a Violência à Criança, Adolescente e à Mulher, a advogada Carmen Lúcia Costa de Carvalho, o prefeito Gothardo Netto (PV), a psicóloga do Projeto Sentinela, Jaqueline Oliveira, o conselheiro tutelar de Volta Redonda e diretor pedagógico da Fundação Betariz Gama, Paulo Guerra, além da coordenadora da Casa da Criança e do Adolescente, Maria Helena Ferreira.
     Convidados e organizadores discutiram a situação das crianças e adolescentes que ainda são explorados em Volta Redonda. Foi lembrado ainda que na maioria das vezes o menor é vítima da exploração dentro da própria residência, tendo também como acusados parentes próximos. Segundo o secretário municipal de Ação Comunitária, Munir Francisco, o fórum teve por finalidade conscientizar a população e buscar ações de prevenções para que crianças e adolescentes não sofram com esse tipo de ato. Munir lembrou que mesmo diante de ações desenvolvidas contra a exploração sexual infantil o número de vítimas assusta.

TRABALHO EM CONJUNTO

     No fórum, foi discutida a importância do trabalho em conjunto com a sociedade para combater esse crime que é cometido em todo o país, como também explicações sobre artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo os organizadores, além de divulgar os trabalhos que Volta Redonda vêm realizando para combater esse crime e esclarecer os participantes sobre a exploração, o evento serviu para mostrar à sociedade essa violação de direitos de crianças e jovens. A idéia é conscientizar e mostrar para a comunidade que em Volta Redonda há um trabalho específico no combate a esse tipo de violência.
     Entre os trabalhos desenvolvidos na cidade está o Programa Sentinela e Agentes Juvenis e o Centro de Referência para Criança e Adolescente, que funciona 24 horas, com a finalidade de acolher vítimas de violência sexual. No Centro, a vítima e a família recebem assistência social com psicólogas e assistentes sociais, como também participam de oficinas sócio-educativas para recuperar a auto-estima por meio de políticas públicas. Desde a criação do programa, em 2000, dezenas de crianças e adolescentes de 12 a 18 anos receberam atendimento.

CASOS DE EXPLORAÇÃO

     O município registra hoje uma média de 40 casos de exploração sexual infantil a cada ano. Com essa estatística, é apontado como uma das principais rotas da exploração sexual infantil no Brasil. Conselheiros tutelares ressaltam que o fato de o município ser um corredor natural entre as duas maiores capitais do país, Rio e São Paulo, a situação se agrava ainda mais. Existem casos de meninas chegarem à cidade acompanhadas por caminhoneiros.
     Durante o debate foi falado também que o perfil da maioria das vítimas da exploração sexual em Volta Redonda não é diferente do restante do Brasil. Na maioria, são meninas e meninos de 12 a 18 anos. Há dois anos, um relatório da ONU apontava que no Brasil 937 cidades passavam mais seriamente pelo problema da prostituição infantil. Segundo o mesmo relatório, só no Estado do Rio foram citadas mais de 30 cidades, entre elas Volta Redonda.