OPINIÃO
Léo
Pançardes
Por muito poucas vezes eu utilizo as
páginas do jornal para expressar
uma opinião própria. Apenas
nos momentos em que acho importante que
algo seja dito. E hoje é um desses
poucos dias. O assunto é a gama
de promoções culturais
que estamos vivendo e que já fora
comentada na edição de
ontem pelo diretor de teatro Symão
Francisco.
Já ouvi muita gente dizer que
aqui na região não tem
cultura. Ou, então, que o interior
precisa crescer culturalmente! Será que
isso é verdade? Como se define
a cultura de uma determinada região
ou de uma determinada pessoa?
Primeiro ponto: o conceito internacional
de cultura. Segundo a enciclopédia
Wikipedia, Cultura vem do latim cultura,
cultivar o solo, cuidar, e é um
termo com várias acepções,
em diferentes níveis de profundidade
e diferente especificidade. Já para
a Paris Rue, outra enciclopédia,
cultura é o reflexo e prefiguração,
em cada momento histórico, das
possibilidades de organizarão
da vida quotidiana; complexo da estética,
dos sentimentos e dos costumes graças
aos quais uma coletividade reage sobre
a vida objetivamente determinada pela
economia. A Rain Forest a define como
o conjunto de características
humanas que não são inatas,
e que se criam e se preservam ou aprimoram
através da comunicação
e cooperação entre indivíduos
em sociedade. Agora a Indig - que na
minha opinião define da melhor
forma - fala que cultura é o conjunto
de atitudes e modos de agir, de costumes,
de instituições e valores
espirituais e materiais de um grupo social,
de uma sociedade, de um povo.
A partir desses conceitos, como é que
alguém afirma que não temos
cultura? Como isso é possível?
Cultura não é algo que
se possa segurar nas mãos. Não é um
objeto, tampouco uma definição
barata que pode ser minimizada na boca
de alguns burgueses mal amados que nunca
sentaram na poltrona de um teatro para
pensar no trabalho, na pesquisa, na história,
na educação, que um grupo
tem para montar um espetáculo,
e assim de música, de artista
plástico e etc.
Segundo ponto: desde o dia 29 de abril
acontecem vários eventos culturais
na região. Um atrás do
outro. Podemos citar o Festival de Produção
Cultural, Festival Proscenium de Teatro
com oficinas e talk-show, espetáculo
como as produções da Tamaqui
Soluções Artísticas
como o Grande e o Gordo e Em Mozart,
e sem esquecer a posse do delegado no
Sated-VR, de Lúcio Roriz e de
seus subdelegados que representam as
cidades da região.
O Festival de Produção
Cultural, realizado pelo Sesc Barra Mansa,
que está em sua terceira edição,
mostrou muito bem para todos o que estou
dizendo. Só não mostrou
para os tais burqueses que eu mencionei
acima, pelo simples fato de eles não
terem ido assistir aos eventos.
Ainda temos os espetáculos que
estão sendo produzidos pelo trio
Tamaqui: Marcelo Bravo, Amanda Gomes
e Thiago Pimentel. Na verdade, Tamaqui é o
nome da produtora, mas o marketing utilizado
por eles nos deu a oportunidade de brincar
com isso, e de certa forma deu certo,
e essa galera tem futuro, ou senão,
são o futuro de muitos aqui da
região – olha a responsabilidade.
Enfim, seus espetáculos são
encantadores, como, por exemplo, Choramingos,
que conta a história de Chiquinha
Gonzaga e o chorinho. O Grande e o Gordo,
com direção de Cinthia
Mendonça, que é uma extraordinária
sátira contemporânea. Em
Mozart, a pianista premiada Rita Mendonça
mais uma vez mostrou a todos que até a
música clássica tem lugar
na região.
Já o Festival de Teatro dez anos
do grupo Proscenium abriu seus eventos
com uma oficina para a classe artística
sobre Bertold Brecht. Dirigida por Carlos
Eduardo Giglio, que espetacularmente
tratou o assunto para os interessados,
e aí está o problema: onde
está o público? onde estão
aquelas pessoas que se dizem atores,
atrizes, diretores, produtores entre
outros que não comparecem aos
eventos? E com isso dão oportunidade
aos tais burqueses de dizerem que aqui
não tem cultura.
Mas, a oficina foi realizada e quem esteve
lá aproveitou, como o diretor
Symão Francisco, que deixou um
exemplo de simplicidade e deixou-se ser
dirigido e orientado por Giglio (exemplo
que deveria ser seguido) e posteriomente
os talk-shows que trataram sobre a inserção
da cultura no mundo do deficiente físico,
contando com a presença da professora
Regina que juntamente com duas mães
mostraram para os presentes como o teatro
pode mudar o relacionamento dos pais
com os filhos portadores de deficiência
e sua função pedagógica
e o financiamento de produções,
que teve um debate com Lúcio Roriz,
Marcelo Bravo e Symão Francisco.
Durante o evento se enfatizou muito a
participação e a união
da classe artística, fato que
foi presenciado quinta-feira, na posse
de Lúcio Roriz na delegacia do
Sated-VR. Onde mais do que nunca a palavra
união foi pregada pela maioria
e vários nomes deixaram de ser
nomes para formar acima de tudo uma classe
(não que ela ainda não
existisse) e tomara não estar
enganado mas, o dia 18 de maio ficará marcado
pela classe artística como antes
e depois de Lúcio Roriz, não
que ele seja melhor ou pior que qualquer
outro “anjo”, porém,
pela coragem de saber o que quer, e,
principalmente, de não centralizar
o poder em suas mãos, muito pelo
contrário, de fazer questão
de ter a seu lado pessoas competentes.
E digo: Lúcio, parabéns!
Ontem, hoje, e amanhã, teremos
as peças do Proscenium e sei que
eles vão se apresentar para dezenas
de pessoas, mas o mais importante, se
for para meia dúzia, eles também
vão se apresentar com o mesmo
fervor, pelo simples de fato de pessoas
como Giglio, Symão, Rita Mendonça,
Cinthia Mendonça e tantas outros
fazerem cultura porque amam o que fazem
e não porque são burqueses
hipócritas que têm cargo
e não fazem, porque não
sabem e porque não querem.
Enfim, cultura nós temos! O que
falta é vergonha na cara àquelas
pessoas que deveriam fomentá-la,
mas não o fazem, como os governos.
Entretanto, temos algumas entidades como
o Sesc em Barra Mansa e o Gacemss em
Volta Redonda que, por sinal, tem feito
um trabalho extraordinário. A
burocracia às vezes atrapalha,
até mesmo nós, da imprensa,
mas é fato que acaba sendo digerido
no dia-a-dia. Portanto, fazem muito e
os burqueses falastrões deveriam
apenas assistir a um espetáculo
para entender, se conseguirem.
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