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Valeu a pena?
     O eleitor fluminense está saindo de uma desastrosa experiência nas urnas, principalmente para a Câmara dos Deputados, onde dos 46 deputados federais eleitos a metade está envolvida em trapalhadas.
     É uma dura constatação, mas que, por ser verdadeira, leva o eleitor a uma avaliação, triste avaliação que o conduzirá à conclusão de que o seu voto foi, mais uma vez, perdido.
     As estatísticas do Congresso não mentem: dos 46 parlamentares eleitos no Estado do Rio um renunciou e está preso: Bispo Rodrigues; dois foram cassados: André Luiz e Roberto Jefferson; dos 16 sob investigação, cinco são do Rio: Vieira Reis, Paulo Baltazar, Reinaldo Gripp, Almir Moura e Fernando Gonçalves. Os deputados Elaine Costa e João Mendes de Jesus tiveram assessores presos e, ainda, 13 foram citados pelas sanguessugas e três respondem a acusações diversas.
     Triste e desolador saldo: dos 46 eleitos, nada menos que 26 estão envolvidos em atividades que ferem a ética parlamentar, alguns já condenados.
     Valeu a pena o voto? É a reflexão que deve estar passando pelo íntimo de cada eleitor, decepcionado com o seu candidato, justamente aquele que, na campanha, conseguiu sensibilizá-lo.
     Mas, nem tudo está perdido. Novas eleições estão chegando. É preciso que o eleitor extraia de tanta decepção alguma coisa útil para guiá-lo quando entrar na cabine secreta e, sem testemunhas, declinar o seu voto.
     Para os que pregam o voto nulo, nota zero. Não será anulando o voto que o eleitor modificará o atual quadro. Será praticando o voto cidadão, aquele desvinculado de qualquer outro compromisso que não seja o que interesse, diretamente, à comunidade.
     O momento exige uma renovação, tirando de circulação os que não souberam honrar o compromisso assumido com a coletividade, transformando o mandato num instrumento de corrupção.
     Valeu a pena? Com a palavra o eleitor.