Os
gargalos da agroindústria
No Brasil, o gargalo mais visível
da agroindústria está relacionado à logística.
Sabe-se que o transporte precário
da matéria-prima entre as fontes
primárias de produção
e a indústria, ou mesmo diretamente à exportação,
representa enorme prejuízo ao País.
A melhoria das rodovias e do modal ferroviário
e o melhor aproveitamento do transporte
hidroviário são essenciais
e prementes, além do aperfeiçoamento
da produtividade dos portos. Nesse caso,
vale lembrar que o Brasil perde competitividade
quando o produto agrícola sai pela
porteira das propriedades rurais com preços
baixos e chega ao destino com custos altíssimos
devido aos problemas citados.
Entretanto, além da logística,
há outros problemas com igual ou
maior impacto na performance da agroindústria. É preciso
solucioná-los, pois o setor possui
imenso potencial de crescimento. Em geral,
os seus principais segmentos, como os de
preparação de carnes, produção
de açúcar, laticínios, óleos
vegetais e sucos, enfrentam dificuldades
semelhantes.
O primeiro obstáculo relaciona-se à aplicação
de medidas anticíclicas para amenizar
o comprometimento da rentabilidade no setor. É preciso
criar um seguro rural para garantir renda àqueles
que produzem alimentos e matéria-prima
para a indústria. Tal medida irá permitir
que a quebra do fluxo de produção
agrícola por motivos diversos, como
pragas, doenças, geadas, estiagens
e excesso de chuvas, não se prolongue
por muito tempo. Hoje, os prejuízos
advindos desses problemas dificultam o
investimento na retomada da cultura, afetando
toda a cadeia produtiva.
A criação de um seguro rural
irá também possibilitar com
que as transações de produtos
agropecuários na Bolsa de Mercadorias
sejam fortalecidas. A instituição é um
importante instrumento de modernização
e estímulo ao comércio na área.
Porém, a não existência
de uma sólida garantia daquilo que
negocia a médio e longo prazo, fruto
da falta de proteção adequada
aos riscos inerentes a atividade rural,
acaba afastando potenciais investidores.
Dentro ainda desta questão de busca
pela rentabilidade e equilíbrio
financeiro, a oferta de crédito
rural de modo mais amplo é outro
tópico que não deve ser perdido
de vista.
Assim caminha a agroindústria nacional.
A FAO (Organização das Nações
Unidas para a Alimentação
e a Agricultura) prevê que o Brasil,
em dez anos, deverá ser o maior
produtor rural do mundo. Contudo, é imprescindível
que cuidemos de nossa própria casa,
adotando todas as medidas necessárias
para que o agronegócio seja, de
fato, um dos vetores do ingresso do Brasil
no rol das nações desenvolvidas.
João Guilherme
Sabino Ometto
Vice-presidente da Fiesp e coordenador
do
Comitê da Cadeia Produtiva do
Agronegócio
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